A lição da base



Os exemplos da base

Olho: Derrotados, meninos do São Paulo aplaudem o campeão Flamengo em um mundo em que isso é uma raridade

Flamengo e São Paulo disputaram uma excelente final de Copinha ontem em um Pacaembu bonito e cheio. Duas equipes boas, bem treinadas, jovens que podem vingar no futebol, duas camisas pesadas do futebol brasileiro e uma bonita festa das duas torcidas.

O Flamengo foi o justo campeão. Fez seu gol no começo do jogo, soube segurar o bom time do Tricolor e levantou a taça no final. O Rubro-Negro na Copinha e no Campeonato Carioca dá uma amostra da força da base do clube carioca.

Quando a partida terminou e os meninos do Flamengo se preparavam para subir no palanque e receber a medalha, uma surpresa: foram aplaudidos pelos jogadores do São Paulo, vice-campeões.

Em um mundo diferente, menos bélico e radical, seria uma atitude elegante, mas normal. No Brasil que vivemos virou um enorme destaque. Mas que é necessário realmente destacar, sobretudo por partir de garotos que ainda estão em formação como atletas e que são homens ainda em formação de caráter.

Vivemos tempos tão difíceis que muita gente tem dificuldade de aprovar até esta atitude. Nas mídias sociais, teve quem relativizou o ato dizendo que um (sim, UM!) único jogador do São Paulo quis brigar com os adversários rubro-negros. Um olhar que ignorou a nobreza e a simbologia do restante do time inteiro.

Houve também quem lembrasse que os meninos do Palmeiras tiveram a mesma atitude após uma derrota tempos atrás e que a divulgação agora foi maior porque os Verdão é perseguido pela mídia e etc. Perspectiva bem comum nestes dias, o de se colocar como centro de todos os acontecimentos e que não deixa de ser o contrário do que os próprios meninos palmeirenses fizeram na ocasião, ao reconhecer a superioridade de um rival em vez de olhar apenas para si mesmos.

Além da excelente final, do merecido título rubro-negro e a bela atitude dos meninos do São Paulo, a base também tem sido assunto no futebol brasileiro não apenas pela disputa da Copinha, mas pela necessidade de ela ser aproveitada em vários dos principais clubes brasileiros.

Sem dinheiro apesar do gigantesco aporte financeiro que recebeu nos últimos anos, os meninos estão se tornando esperança em vários lugares.

O Flu, atolado em dívidas, não tem ao que recorrer senão a Xerém. O Vasco, destruído pelos anos de presidência de Eurico Miranda também.

O São Paulo, vice-campeão da Copinha, vive um paradoxo. Sua diretoria gosta de elogiar os frutos que vêm de Cotia, mas não sabe exatamente como utilizá-los no time principal, visto que o clube vive uma situação de imensa pressão. Prova disso é que aqueles que já subiram da base como Brenner, Lucas Fernandes e Shaylon ainda sofrem muito os problemas de adaptação para o profissional.

Já a base do Flamengo tem dado o melhor exemplo de como os estaduais podem ser bem aproveitados. São três jogos e três vitórias ou com uma escalação inteira vinda da base ou quase isso. Claro que estamos falando do mundo perfeito. Se no primeiro jogo o time não vencesse, a pressão pela escalação dos titulares viria. Mas este é um entre os tantos pontos que devem ser avaliados.

Bom futebol na Copinha, bom exemplo pós-derrota e a necessidade de utilização dos jogadores. A base está no centro das atenções no futebol brasileiro no momento.



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