Por que todos gostam de R10 e nem todos de Neymar?



O anúncio foi discreto, sem convocação de entrevista coletiva nem nada e dado, claro, por aquele que guiou todos os passos da carreira do jogador: o seu irmão. Desta forma, Ronaldinho Gaúcho abandonou o futebol. Para muitos, uma mera formalidade, porque ninguém mais enxergava o craque ainda como um atleta em atividade.

Fato é que se despede dos gramados um gênio da bola que, no seu auge, chegou a se imaginar que ele se aproximaria de Pelé. Não foi assim, como todo mundo sabe.
Ronaldinho é um ídolo mundial e de maneira geral sujeito a poucas críticas. Mesmo sua opção de curtir a vida adoidado em detrimento de sua carreira sempre foi encarada como um problema menor. Quando colocados na balança de um lado o que ele fez em campo e do outro suas estripulias fora dele, a bola jogada nos gramados pesa muito mais.

Como nunca deu grandes entrevistas nem se meteu em assuntos mais cabeludos, sempre nutriu a simpatia da maioria. Seu rosto extremamente simpático pode ter contribuído para isso. (alguém se lembra de uma imagem pública de R10 mal-humorado ou marrento?).

Ronaldinho Gaúcho encerrou oficialmente a carreira na mesma semana em que Neymar mais uma vez marcou seu nome na história do futebol. Fez quatro gols e deu passes para outros dois no massacre do PSG contra o Dijon pelo Campeonato Francês quarta-feira (8 a 0). Por sua atuação magistral recebeu nota 10 do “L’Equipe”, uma das publicações esportivas mais relevantes e rigorosas do mundo.
Pois nem mesmo o show que deu em campo foi o suficiente. Ele saiu de campo vaiado por parte da torcida por não ter dado a oportunidade para Cavani bater um pênalti e se transformar no maior artilheiro da história do PSG.

Um gol a mais ou a menos em uma partida que só faltou fazer chover não mudaria a percepção de que Neymar teve uma das maiores atuações da história do Francês e sua mesmo. Possivelmente a nota 10 do “L’Equipe” estaria garantida de qualquer maneira. Por que então a bola não foi dada a Cavani, num gesto que significaria até uma trégua e um arrefecimento no clima quente que vem de dentro do vestiário do clube? Só o próprio Neymar pode dizer.

Fato é que, comparando as duas figuras (R10 e Neymar) temos a sensação de que o primeiro soube lidar bem com a fama e as armadilhas do futebol. Sempre passou a mensagem de que gosta mesmo é de jogar bola, cantar samba e se divertir. Nem mesmo o fato de que seu irmão guiou todos os passos de sua carreira foi motivo de muita crítica.

Do outro lado temos Neymar, que mesmo em alguns dos seus melhores momentos, carregou algum tipo de ressalva. Muitos dizem ser inveja do sucesso de um garoto que aos 25 anos tem a vida que nenhum de nós terá nunca.

Outros argumentam que o auge de R10 foi em um momento em que as mídias sociais ainda engatinhavam. Já Neymar vive momento em que todos os seus passos são registrados (por ele mesmo) e o mundo tem acesso. Assim, estaria mais sujeito a julgamentos instantâneos em uma era das mais individualistas e egocêntricas da humanidade.

Mas ainda assim é um mistério. Por que dois sujeitos talentosíssimos dentro de campo geram reações tão diferentes dos torcedores?



MaisRecentes

Até mais!



Continue Lendo

Bem-vindo à Seleção, Tite!



Continue Lendo

Evolução



Continue Lendo