Diego Souza e o clube que não segura jogador



Quando foi apresentado no São Paulo, Pratto foi considerado o exemplo do jogador que o clube gostaria de ter. Dedicado, com vontade de servir o clube, comprometido. Não era visto como um investimento, mas como um jogador para ficar por muito tempo vestindo a camisa tricolor a ponto de virar ídolo da torcida.

Menos de um ano depois, o argentino acerta sua transferência para o River Plate. Enquanto esteve no São Paulo entregou menos do que se imaginava e, na lista daquilo que a diretoria pensou que ele traria, só dá para ressaltar raça, dedicação e profissionalismo. De resto, fez poucos gols e viveu talvez sua pior fase desde que desembarcou no Brasil.

O discurso dos cartolas que hoje mandam no Morumbi foi o de que o jogador quis sair do São Paulo. Feito o negócio, a conversa foi a de que houve lucro na negociação. Comemorar lucro nesta negociação é dar as costas para outra questão que envolve o São Paulo, que é quase tão letal para as pretensões do clube quanto a infinita crise financeira: a incapacidade de se manter um time por mais de seis meses.

A grande notícia que o torcedor são-paulino teve no fim do ano passado não foi escapar da Série B. (comemorar isso seria um atestado de apequenamento). Mas a possibilidade de manter a base que fez um bom segundo turno no Brasileiro para tentar alçar voos mais altos em 2018. A ilusão não sobreviveu aos primeiros dias de janeiro. Pratto se foi e Hernanes se foi, amparado por uma cláusula de seu contrato que simplesmente foi omitida pela diretoria são-paulina. A de que ele poderia voltar à China desde que os chineses exigissem. E exigiram.

Então, o Tricolor começa o ano tendo de remontar parte de sua estrutura. Como fez no meio do ano passado, quando sofreu um desmanche e como teve de fazer quando Osorio ainda era o treinador e, em uma semana, perdeu dois de seus meio-campistas titulares. Diante disso, o treinador se mandou para dirigir a Seleção Mexicana.

Para tentar estancar o vazamento e remontar seu time, o São Paulo anunciou Diego Souza por um valor que ele não havia sido negociado em nenhum momento de sua carreira. Ou seja, o clube está pagando alto por um jogador na casa dos trinta anos. E com uma característica marcante, além de sua habilidade e alta capacidade de finalização com as duas pernas: a sua sede de mudar de clube frequentemente.
Em 15 anos de carreira, foram 14 transferências, o que dá uma média de pouco mais de uma temporada por clube.

Pode ser que o novo jogador tricolor finalmente encontre a felicidade no Morumbi e encerre a carreira por lá. Mas se ele mantiver o comportamento que teve ao longo da carreira, é possível que não fique no São Paulo por muito tempo. E lá vai o clube novamente tendo que repor perdas. Não há base possível para se fazer um bom trabalho desta forma.



MaisRecentes

Bem-vindo à Seleção, Tite!



Continue Lendo

Evolução



Continue Lendo

Vai começar uma nova Copa



Continue Lendo