Jogadores mandam



Os clubes brasileiros estão voltando às suas atividades para a temporada dura que virá pela frente. Mas algo chamou a atenção: jogadores que simplesmente não deram as caras no dia e horas combinados. Pelos mais variados motivos.

No São Paulo Cueva acertou com a diretoria que não se apresentaria na quarta-feira juntamente com o restante do elenco. Motivo: estaria ocupado gravando comerciais no Peru para a Copa do Mundo. Este não o caso mais grave, afinal, ele deverá pintar no CT do clube em breve.

Diego Souza não se apresentou ao Sport na terça-feira também. Em negociação com o São Paulo, o meia-atacante decidiu que não deveria aparecer no clube que ainda está sob contrato e ponto final.

Algo parecido aconteceu com Gustavo Scarpa. Também sob contrato com o Fluminense, mas desejado por por vários clubes brasileiros, não compareceu no dia da reapresentação.

Um dos casos mais emblemáticos é o do técnico Reinaldo Rueda, do Flamengo. Vêm do Chile informações detalhadas de que ele está negociando com a federação de futebol de lá. Tempo de contrato, multa rescisória, etc, etc. Todas as vezes que foram perguntados sobre o assunto, dirigentes do Rubro-Negro disseram que o treinador estará no Ninho do Urubu trabalhando normalmente em breve. O estranho neste caso é o silêncio do treinador. Se não há negociação com o Chile, que ele venha a público e esclareça a situação. Mas ele prefere o silêncio que permite todo tipo de especulação.

Flamengo, Sport Recife, Fluminense, São Paulo… todos estes são clubes grandes do futebol brasileiro. São marcas importantes, que carregam consigo histórias gloriosas. Não há jogador ou treinador que possa ser maior do que eles e que possa simplesmente desrespeitar desta maneira essas camisas.

Vale a ressalva que o caso de Cueva não se aplica exatamente, embora qualquer tipo de privilégio não seja a melhor maneira de se iniciar um ano em qualquer ambiente de trabalho.

Agora, em todos os outros casos, o clube está sendo colocado em segundo plano, em detrimento da carreira de um jogador ou, no caso de Rueda, da indefinição do que ele pretende para o futuro.

O futebol brasileiro paga salários irreais para seus atletas e treinadores. Até por este motivo, muitos clubes estão afogados em dívidas gigantescas, apesar dos frequentes perdões governamentais. E até por este motivo, muitos jogadores estão com vencimentos atrasados. Mas o mínimo que se exige é o mínimo de respeito com a instituição.

Quando este compromisso é quebrado por uma das partes, a relação fica desequilibrada. Claro que atrasos salariais (se é que existem nestes casos), podem servir de motivo para rebeldia. Há até um direito legal. Mas ainda assim não justifica o desrespeito com que clubes são tratados frequentemente com relação aos clubes.

Diante do que vem acontecendo no futebol brasileiro, vale a pergunta: em que momento da nossa história os jogadores se transformaram em figuras maiores e mais relevantes que os clubes?



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