Há trabalho a se fazer antes de tentar vencer o Real Madrid



O placar de 1 a 0 com um gol surgido da barreira que abriu na cobrança da falta dão uma falsa impressão de que o jogo não foi tão desigual. Mas foi.

Os jogadores do Real Madrid mal suaram a camisa diante de um Grêmio incapaz de dar um único chute a gol. E não foi por respeito, medo ou qualquer outra coisa que o Tricolor Gaúcho não fez isso. Foi porque não conseguiu diante de um adversário que pratica um esporte diferente do campeão da Libertadores. E o mais triste: estamos falando de um dos melhores times brasileiros desta temporada. O que ganhou o torneio mais importante da América do Sul.

O dinheiro explica parte do problema, mas não tudo. Fosse uma questão meramente financeira, o Pachuca teria passado pelo Grêmio na semifinal, uma vez que seu orçamento é bem maior do que o do clube brasileiro. Palmeiras e Flamengo teriam papado todas as taças este ano. Somando todas as conquistas dos dois times, dá um Campeonato Carioca.

Atualmente, além de muitos bons jogadores e da grana, há o jogo do Real Madrid, que é muito superior ao jogo do rival da sábado, lamentavelmente. Na final do Mundial, nas raríssimas vezes em que o Grêmio conseguiu colocar a bola dentro da área merengue, o que se viu foi a construção de um contra-ataque em que a redonda saía dos pés de algum zagueiro, passava por este e aquele jogador e já estava lá do outro lado do campo, incomodando a defesa tricolor.

Por mais que muitos torcedores brasileiros tivessem acreditado que era possível, porque afinal isso é futebol, o jogo praticamente acabou quando o Real fez o seu gol. Até mesmo os jogadores do Grêmio em campo sabiam disso e torceram para aquilo acabar logo.

Antes de a bola rolar, teve gente incomodada porque Zidane foi sincero ao dizer que não acompanhava a Liga Brasileira. Há alguns meses, Levir Culpi, técnico do Santos, disse que sabia pouco sobre o Barcelona de Guaiaquil.

Entre uma e outra declaração, há apenas uma diferença: o Santos foi chutado da Libertadores pelo “desconhecido” time equatoriano. O Real Madrid passou pelo Grêmio como se fosse um jogo de adultos contra crianças.

O cenário econômico mundial não deverá ter alterações nos próximos anos. Os europeus continuarão contratando os melhores jogadores. Resta ao Brasil tentar mudar o tamanho do nosso futebol. Com treinadores melhores, com times mais bem treinados, com campeonatos de nível melhor, com um bom calendário.

Esta é uma forma mais inteligente de tentar equilibrar o jogo do que criar uma falsa polêmica de que Renato Gaúcho jogou mais do que Cristiano Ronaldo (não, ele não jogou).

É necessário, em primeiro lugar, olhar para a CBF e ver que há um cargo vago lá porque o atual presidente está atolado até o pescoço em suspeitas de irregularidades. E ver isso como uma oportunidade de mudança.

Assistir a Real Madrid 1 x 0 Grêmio, chegar à conclusão que vivem mundos diferentes dentro de um mesmo esporte e lamentar o poder financeiro é o que estamos fazendo há anos. E já vimos que isso não vira o jogo.

Em tempo: algum cartola de clube se manifestou sobre o afastamento de Marco Polo Del Nero da CBF?



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