Futebol ofensivo: todos querem, poucos praticam



Raí foi apresentado como novo homem-forte do futebol do São Paulo semana passada. Entre outras coisas, falou sobre filosofia de jogo, algo que unisse um só pensamento desde a base até a divisão profissional do clube.

Raí salientou a importância de se definir um estilo e seguir com ele, sem exatamente dizer qual, mas insinuando que o futebol ofensivo é o que mais lhe agrada. Lembrando que ele foi o principal nome de um dos times mais emblemáticos da história do São Paulo e do futebol brasileiro: o São Paulo da era Telê Santana, que conquistou o Brasil, a América e o mundo entre 91 e 93 com um futebol ofensivo, bonito e leal.

No sábado, foi eleito o novo presidente do Santos, José Carlos Peres. Após o resultado final do pleito ele disse, entre outras coisas, que quer ver o Peixe com “DNA ofensivo”. O novo presidente teria como nome ideal para treinador Zé Ricardo, ex-Flamengo, atualmente no Vasco.

É difícil, quase impossível, um dirigente vir a público e dizer que seu clube vai passar a praticar um futebol pragmático, retranqueiro, jogando sempre por uma bola porque “o importante é levantar taças e quem quiser beleza que vá ao show da Ivete Sangalo.”

Quando não sabe bem o que dizer, um cartola fala que o perfil do novo treinador será a de um sujeito “trabalhador e vencedor”, seja lá o que isso signifique.

Quando José Carlos Peres fala em DNA ofensivo e em seguida sabe-se que seu sonho de consumo é Zé Ricardo, alguma coisa está fora da ordem. Não que o treinador vascaíno seja ruim, muito pelo contrário. Mas sua maneira de montar times não é exatamente e prioritariamente ofensiva. Também não estamos falando de um retranqueiro incorrigível. Mas de um treinador estudioso, mas que nunca foi conhecido por ser um ofensivo radical (como Guardiola, por exemplo).

Na mesma medida, Raí pode até sonhar com um clube em que o futebol ofensivo corra em suas veias, mas normalmente este discurso não dura muito se os resultados não aparecerem rapidamente.

O próprio Raí viu um projeto de futebol ofensivo desmoronar em poucos meses no São Paulo recentemente. Rogério Ceni chegou ao clube com um discurso de marcação pressão, briga insana pela bola… três eliminações em sequência custaram sua cabeça.

E assim acontece com a grande maioria dos clubes brasileiros. A exceção no discurso bonito do futebol ofensivo é o Corinthians. Desde que Tite desembarcou no clube, há quase dez anos, não se ouve a palavra ofensividade, mas muito se ouve a palavra “equilíbrio”. Foi desta forma que taças foram empilhadas na sala de troféus corintiana nos últimos tempos.

Carille, por exemplo, nunca falou que mudaria o estilo de jogo consagrado pelo clube nos últimos anos. A torcida agradece e o clube segue ganhando títulos, com elencos longe de ser os mais estrelados.

Mais do que DNA ofensivo ou filosofia de jogo ofensiva, os clubes precisam de uma filosofia, seja ela qual for.

Agora, se o negócio é jogar ofensivamente é uma cláusula pétrea, uma sugestão: contrate o Guardiola. Ninguém no mundo sabe jogar de forma tão ofensiva e tão eficiente. A chance de errar neste caso e ter de abandonar a proposta é bem baixa.



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