Injustiçado, alienado e malandro



Foram três os personagens que marcaram a penúltima rodada do Brasileiro. Cada um da sua forma provocou reações dos amantes do futebol.

Pablo não entrou em campo no jogo da entrega das faixas de campeão do Corinthians porque não houve acordo para a sua permanência no clube em 2018. A diretoria alvinegra, alegando então que o jogador não fazia mais parte do elenco, o tirou da comemoração. Uma espécie de castigo ao zagueiro que disputou mais de 50 partidas na temporada e foi importante na conquista do heptacampeonato. Alguns corintianos consideraram correta a atitude, chamando Pablo de mercenário por sua pedida muito alta para renovar.

No limite, a diretoria de um clube de futebol é soberana e pode lidar com casos como este da maneira que achar melhor. Mas, independentemente de como tenha sido a negociação pela permanência do jogador, há uma sensação de injustiça por tudo o que ele fez ao longo da temporada.

Muralha é outro personagem do momento. Ganhou mais uma chance de se redimir de seus recentes erros e mais uma vez desperdiçou de maneira catastrófica. Foram duas falhas nos dois gols que decretaram a virada de placar do Santos sobre o Flamengo. A primeira falha tem um detalhe: não foi apenas uma deficiência técnica, mas uma espécie de alienação sobre o momento em que ele mesmo vive. Por qual razão que não fosse a falta de percepção do todo faria um jogador pressionado como ele tentar um drible desnecessário?

Se no caso corintiano, a diretoria agiu e tirou de cena o jogador em um momento em que ela poderia resolver a situação de outra forma, no caso do Flamengo foi a falta de ação que transformou Muralha no inimigo número um dos torcedores rubro-negros. Lamentavelmente, ele vem falhando ao longo de toda a temporada rubro-negra. E nem assim, foi tirado de cena de maneira discreta. Ao contrário, esteve sempre presente quando o titular Diego Alves não pôde jogar.

O terceiro personagem do fim de semana foi Rodrigo, zagueiro da Ponte Preta. Não por uma falha técnica, mas por um ato absolutamente reprovável de indisciplina, ele contribuiu decisivamente para a derrota da Macaca contra o Vitória, que resultou no rebaixamento do time campineiro.

Recapitulando: a Ponte vencia o jogo por 2 a 0 quando Rodrigo foi expulso ainda no primeiro tempo. O time baiano virou a partida, que terminou 3 a 2 antes mesmo do relógio chegar aos 45 minutos da segunda etapa. Isso porque a torcida invadiu o campo antes.

Diferentemente de Muralha, Rodrigo imaginou que poderia fazer o que fez na sombra, sem ser percebido. Deu no que deu.

Nos três casos, as respectivas torcidas nutrem sentimentos parecidos com relação aos personagens. Muitos corintianos consideram Pablo um mercenário e julgam que tirá-lo da festa foi uma justa lição. Rubro-negros têm raiva de Muralha pelas tantas vezes em que ele prejudicou o time. Diante da bobagem que fez no primeiro gol, o que havia de piedade ali acabou.

Por fim Rodrigo: sua malandragem foi punida com a derrota e o rebaixamento de seu time. Sobrou a raiva da torcida.



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