A torcida que salvou um time salvará de novo em 2018?



Um time está ameaçado de rebaixamento. O principal atacante não vive uma fase boa, faz poucos gols, embora lute muito todo jogo. Já o craque vive às voltas com problemas disciplinares e na última partida ficou no banco porque não apareceu na reapresentação após defender a seleção de seu país.

A descrição acima na maioria dos clubes brasileiros terminaria numa crise profunda, provavelmente no rompimento da torcida com o time e o resultado poderia ser o pior possível, com o rebaixamento.

No São Paulo foi diferente em 2018. A torcida abraçou o elenco como nunca em toda a sua história, foi com ele até o fim e o Tricolor enfim, se afastou matematicamente da chance de jogar a Série B após o empate em casa com o Botafogo, domingo.

É muito pouco para um time com a grandeza do São Paulo, isso ninguém discute. Mas enquanto o são-paulino sofreu abraçado com o time, torcedores de outros gigantes do futebol brasileiro sofreram e passaram a cobrar em vez de ir junto. Os casos mais óbvios no ano foram o Palmeiras e o Flamengo.

O primeiro contratou tudo o que poderia no começo do ano o que, de alguma forma, significou uma “obrigatoriedade” de vencer em 2018. Vai terminar o ano com a vaga na Libertadores no ano que vem como principal feito. E com nenhuma taça erguida.

Ao longo do processo, a torcida perdeu a paciência com Eduardo Baptista, o primeiro treinador do ano, que caiu. Exigiu Cuca e perdeu a paciência com ele também, que caiu. Não aturou a má fase de Borja. A aposta em Valentim durou até a derrota para o Corinthians, que praticamente sepultou as chances de título.

O Flamengo iniciou 2017 mais ou menos do mesmo jeito, com enorme esperança de que o cheirinho de 2016 estaria este ano materializado em troféus. Perdeu a paciência com Zé Ricardo, que foi para o rival Vasco. Não admite a escalação de alguns jogadores como Márcio Araújo e Muralha, por exemplo. Depositou todas as suas esperanças em Rueda, que ainda não deu uma cara ao time. Ainda falta o desfecho da Sul-Americana, mas mesmo ela é muito pouco perto do que se esperava. A torcida não perdoou o time, rotulado de banana, e já não tolera mais a diretoria, que faz tudo certo fora de campo, mas parece não ter competência para acertar dentro.

Ao fim do Brasileiro, a tabela vai mostrar Palmeiras e Flamengo bem à frente do São Paulo. Mas o que se viu na arquibancada foi uma torcida tricolor que nunca se voltou contra seu time, embora esteja muito clara para ela que apoio ao time não significa apoio à diretoria, a grande responsável pela temporada indigente de 2017.

Palmeirenses e rubro-negros têm colocado time e diretoria num balaio só. O rubro-negro cobra Bandeira de Mello, o departamento de futebol e jogadores. Palmeirenses esperam atuação mais enérgica de Maurício Galiotte.

Porém, a trégua que a torcida do São Paulo deu ao time em 2018 possivelmente não se repetirá ano que vem. Só uma boa temporada poderá fazer o laço permanecer atado.



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