Em onze dias, o Brasileiro mudou



Na medida do possível, férias são aquele período em que o trabalhador se desconecta da tomada e nada do que está acontecendo no seu ramo de atuação profissional importa. É a hora do descanso, de ir à praia, ao cinema, de fazer churrasco, de empilhar um monte de livros que ficaram pendentes de leitura, de ficar em casa de pijama o dia inteiro, de trocar o dia pela noite… enfim, escolha o tipo de lazer que você preferir.

No caso de jornalistas, esta “desconectada” não é tão simples. Afinal, eles trabalham com informação e basta uma espiada nas mídias sociais para ser inundado por notícias, análises, etc, etc…. Algumas, ou muitas, certamente vão resvalar no seu trabalho e o sujeito será automaticamente reconectado ao seu dia-a-dia.

Foram exatos onze dias de férias que tirei desde a última vez que escrevi neste espaço: de 2 a 11 de novembro. Tentei ao máximo me desligar do mundo e, consequentemente, do esporte. Em vão. Quando percebia, lá estava eu fuçando no celular atrás dos resultados da rodada.

Mas confesso que me esforcei, e me espantei como em apenas onze dias tudo pode mudar neste mundo maluco do futebol. No dia em que saí da redação à noite para os tais onze dias de lazer o Corinthians corria risco de perder o campeonato mais ganho de sua história (e talvez um dos mais ganhos da história do futebol brasileiro). A diferença abismal para os perseguidores havia caído para míseros cinco pontinhos e havia ainda um jogo entre o próprio Timão e seu pior perseguidor, o Palmeiras. Se as coisas caminhassem como pareciam que caminhariam, o Palmeiras ganharia o jogo e teríamos um campeonato claramente aberto.

Bom, se você não tirou férias e não passou todo o tempo isolado em uma comunidade alternativa em total contato com a natureza e nenhum com o mundo, sabe o que veio depois. O retrato de hoje mostra que o Corinthians apenas conta os dias para levantar seu sétimo campeonato brasileiro.

Já o Palmeiras perdeu não só para o Corinthians, mas em seguida para o Vitória e viu o sonho do título heroico se transformar em protesto de torcida com uma patética lista de dispensas organizada por ela mesma. O ano que começou cheio de esperança vai terminar de forma melancólica com um triste prêmio de consolação que será uma vaga na Libertadores, conquista que só é relegada aos rebaixados do Brasileirão e aos times que fizeram campanhas indigentes.

Se eu fosse um felizardo que pudesse tirar um ano sabático para passear pelo mundo sem se preocupar com as contas a pagar e voltasse hoje ao Brasil seria surpreendido da mesma forma que fui em apenas onze dias. Teria me desconectado antes de a temporada brasileira começar, apostaria que o Corinthians teria dificuldades por contar com um elenco modesto e um treinador novato. Desembarcaria no país, olharia as notícias e pensaria que alguma coisa está fora da ordem. O Corinthians conquistou dois títulos e o trio que começou o ano cheio de esperança rasteja no fim do ano: o Palmeiras com a torcida contra e nenhuma taça. O Galo tentando ainda beliscar um passaporte para a Libertadores, mesmo que nas fases preliminares. E o Flamengo sonhando apenas com a Sul-Americana, pouquíssimo para o que se imaginou no começo de 2017.

A não ser o corintiano, feliz da vida, e o gremista, cheio de expectativas para a final da Libertadores, todo o restante está precisando de… férias!



  • Mário Luiz A. silva

    Hahaha… E os anti chamando corinthiano de sofredor, só se for sofrer no paraíso, o maior papa títulos no últimos vinte anos. #HeptaSemFax

MaisRecentes

A torcida que salvou um time salvará de novo em 2018?



Continue Lendo

A lição de Carille e o que vem por aí



Continue Lendo

‘Doping’ estimula jogadores do São Paulo



Continue Lendo