‘Doping’ estimula jogadores do São Paulo



Um dos diagnósticos dos últimos anos para campanhas indigentes que o São Paulo fez sobretudo no Brasileiro foi a de que o os jogadores eram indolentes.

Não foi uma nem foram duas as vezes em que a torcida pediu “raça” nas arquibancadas do Morumbi quando o time fracassou. Foram várias.

O time de 2017 pode ser acusado de muitas coisas, mas não de falta de vontade. Enterrado por várias rodadas na zona de rebaixamento, o São Paulo cometeu papelões como a derrota para o Coritiba ou o empate contra o Atlético Goianiense em casa. Mas mesmo nestes jogos não faltou dedicação. Várias outras coisas faltaram, mas suor não foi uma delas.

Impossível não relacionar a vontade com que o time tem entrado em campo (jogando bem ou jogando mal) ao que tem feito a torcida tricolor em 2017. Antes dos jogadores, antes do demitido Rogério Ceni e muito antes da diretoria, os são-paulinos perceberam que sem o apoio da arquibancada, a história terminaria na Série B do Brasileiro. E perceberam isso antes mesmo do campeonato por pontos corridos começar. Mesmo no insosso Paulista, o estádio esteve cheio.

O último capítulo dessa demonstração de amor incondicional aconteceu no último fim de semana, quando centenas de torcedores decidiram “escoltar” o time desde o CCT da Barra Funda até o Pacaembu, palco do clássico contra o Santos.

É impossível para um jogador minimamente competitivo ficar indiferente às cenas de torcedores empunhando bandeiras, sinalizadores ou pendurados perigosamente no teto dos ônibus (o que é uma temeridade, mas esta é uma outra história).

Depois de terem presenciado tudo isso e ainda entrarem no estádio passando por uma incrível nuvem de fumaça vermelha, os jogadores foram a campo contra o Santos e jogaram como se fosse a final de um campeonato. Enquanto o Peixe jogou como se fosse apenas mais uma partida. O resultado: vitória Tricolor diante de 40 mil pessoas no Pacaembu.

O apoio da arquibancada vem funcionando como um doping para o time dentro de campo. E isso também ficou muito claro na diferença de empenho dos times na partida anterior, contra o Flamengo, no mesmo Pacaembu. Enquanto o Tricolor, embalado pela torcida, disputava todas as bolas como se fosse uma questão de vida ou morte, o Flamengo jogava no volume três. Acabou derrotado por 2 a 0 sem esboçar grande reação.

Em um momento em que o time ainda esperneava na areia movediça do Z4, torcedores foram ao CT conversar com o elenco. Não se sabe o tom do papo, mas nem de longe lembrou a invasão de anos atrás ao CCT, em que jogadores chegaram a ser agredidos. Este ano, mesmo no momento de mais tensão entre time e torcida não houve rompimento. O apoio seguiu intacto.

Dorival Júnior e Hernanes foram bastante sensatos ao fim da partida contra o Santos. Não é momento de pensar em voos mais altos, a meta é escapar matematicamente do risco de rebaixamento. O treinador ainda falou que este ano o São Paulo não deu nada para a torcida e a torcida deu tudo para o São Paulo.

Ainda faltam alguns pontos para a agonia acabar. No melhor cenário, o resumo de 2017 do São Paulo terá sido o ano em que o clube se esforçou demais para ser rebaixado, mas a torcida impediu com o melhor doping possível: o do apoio, que injeta motivação no time em campo.



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