Satisfeitos com pouco



-O time todo está de parabéns pela entrega. A gente pode não jogar tão bonito quanto esperam, mas dificilmente seremos batidos.

A frase é de Geromel, zagueiro do Grêmio, após o empate em 0 a 0 contra o Corinthians em Itaquera, quarta-feira. O resultado deixou o Timão ainda com uma grande folga na liderança do Brasileiro, mesmo com
o time jogando muito menos do que no primeiro turno.

As palavras revelam um certo conformismo que virou uma característica comum de todos os times que pensaram um dia serem capazes de brigar contra o Corinthians pelo título. O 0 a 0 de quarta-feira serviu para mais uma rodada se passar, para a folga do líder permanecer e para que as chances de que o campeonato saia das mãos do atual primeiro colocado diminuam. Mesmo assim, o bom zagueiro gremista saiu de campo com um discurso como se a situação tivesse melhorado e como se o espírito demonstrado em campo fosse o suficiente. Não, a situação para o Grêmio na verdade piorou no Brasileirão.

Mais ou menos na mesma linha foi Renato Gaúcho, que foi para a entrevista coletiva discursando que seu time é o único brasileiro ainda vivo na Libertadores. Sim, isso é relevante, mas pode virar pó se o título continental não vier. Aí, sobrará apenas o fracasso em todas as competições que o time disputou no ano.

Na segunda-feira havia uma grande expectativa para que o Santos enfim começasse a ameaçar o passeio corintiano no Brasileiro-2017. O jogo era contra o Vitória no Pacaembu. Empate. E tudo ficou como estava. Ao fim da partida, o máximo que Levir Culpi conseguiu dizer foi que a torcida tinha razão de estar brava. No jogo anterior, outra possibilidade de diminuir a distância para o líder. A Ponte Preta era o rival, e o Santos se contentou com um empate, a ponto de fechar o time nos minutos finais em vez de tentar o gol da vitória.
-Por que o time fez isso, Levir?, foi a pergunta de um repórter após o jogo.
-Porque corríamos o risco de perder e eu garanti o empate.

Ontem, o Santos de novo saiu na frente e cedeu empate ao Sport, após recuar.

A esta altura do campeonato, não serão empates dos rivais que ameaçarão o Corinthians, mas vitórias. Empates, sim, poderão levar o Timão para mais um título brasileiro e parece ser isso o que Carille e seu time estão tentando fazer nos jogos em vez de tentar vitórias. Pelo simples fato de que poucos pontos para o Timão são suficientes. Poucos pontos para os rivais não querem dizer absolutamente nada.

O primeiro turno corintiano foi tão espetacular, que assustou a concorrência. Apesar da bravata de Renato Gaúcho profetizando uma queda de rendimento do líder, isso não significou que o título ficou ameaçado em nenhum momento. Agora, o Corinthians administra a vantagem. Se seguir com o desempenho que mostrou agora no segundo turno, chegará a 70 pontos, o que em outras edições do Brasileiro não garantiu a taça. Mas em um cenário em que os rivais se contentam com empates e espírito de luta, isso pode ser mais do que o suficiente.

O novo (e não tão novo assim) concorrente ao título é o Palmeiras, que ontem venceu e agora está a nove pontos do primeiro colocado. Veremos até quando vai a empolgação.



  • sergio

    É assustador saber que um time mediano esteja tão a frente dos demais concorrentes. Isso prova que a exceção da seleção , o futebol brasileiro vai muito mal.

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