Esqueça o fair play



Foi no dia 16 de abril que o futebol assistiu a Rodrigo Caio praticar o ato de fairplay que retirou o cartão amarelo para o Jô em um clássico entre São Paulo e Corinthians no Morumbi.

Foi a partir desse dia que muita gente acreditou em um divisor de águas dentro das quatro linhas. Nada mais inocente. Nos dias seguintes outros lances aconteceram e nenhum jogador ergueu a mão para confessar: – Fui eu.

Mas por aqueles caprichos do futebol e da vida, coube ao jogador beneficiado naquela ocasião estar envolvido em outro lance controverso na rodada do fim de semana. Jô fez um gol com a mão na vitória do Corinthians contra o Vasco em Itaquera e, diferentemente do que os mais puros imaginavam, comemorou como se tivesse metido a cabeça na bola. Na saída de campo disse que não sabia onde a bola havia tocado. Horas depois, banho tomado, cuca mais fresca, repetiu a explicação, acrescentando que agora é um “homem de Deus”.

De alguma forma pode ter sido importante para o futuro o que aconteceu em Itaquera. Ao menos para que todos alinhem suas expectativas. Se havia alguma esperança de que a atitude de Rodrigo Caio meses atrás resultaria em uma mudança de comportamento de todos, a de Jô foi como um choque necessário de realidade. E ficou um pouco mais claro até para os mais crentes que o futebol é um ambiente competitivo, a vitória é o que interessa (nem que seja a qualquer custo) e figuras como Rodrigo Caio infelizmente (!!!) são pontos completamente fora da curva. Passam uma linda imagem de honestidade que conforta o coração e nos faz acreditar na humanidade. Mas não passa disso.

Na mesma medida em que Jô convenientemente “não percebeu onde a bola tocou”, o presidente do Corinthians Roberto de Andrade não apareceu diante das câmeras para se manifestar domingo após o jogo. Diferentemente do que ele mesmo fez no dia em que o Corinthians teve o jogador Gabriel expulso equivocadamente em um clássico contra o Palmeiras. Na ocasião, o mandatário veio a público e, aos gritos, sugeriu que o árbitro da ocasião fosse fazer outra coisa da vida.

Ou seja, tudo é uma questão de conveniência e do local onde o calo aperta. Esta é uma barreira lamentavelmente intransponível para o fair play.

Em vez de ficarmos acreditando que atitudes como a de Rodrigo Caio melhorem o ambiente geral, há uma forma mais eficaz de se proceder. O emprego do auxílio de vídeo. Para lances como este envolvendo Jô, não há nenhuma contraindicação. Em questão de segundos, ficaria claro para todos, inclusive os torcedores dentro do estádio, que o gol foi ilegal.

Lamentavelmente, a CBF esperou acontecer o que aconteceu para se posicionar (de maneira oportunista) e ontem decretou que o árbitro de vídeo será implementado no restante do Brasileiro. Ou seja: mudou a regra do jogo no meio do caminho. O “benefício” que o Corinthians obteve na última rodada não poderá ser estendido a outros clubes.

O árbitro de vídeo é muito bem-vindo para lances como o de Jô. Pena que a CBF erra até mesmo quando acerta.



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