Brasileiro agora será disputa psicológica



O Brasileiro já está na sua fase final e a partir de agora há dois campeonatos em disputa: os dos pontos e o da cabeça. E os dois estão interligados. Explico: o Corinthians lidera com enormes sete pontos de vantagem, mas vem fazendo uma péssima campanha no segundo turno. São apenas três pontos em quatro jogos, aproveitamento de ridículos 25%.

O time lida neste momento com a possibilidade ainda muito grande de ser campeão com um time desacreditado no começo do ano, mas por outro lado começa a sentir a pressão de que isso possa não acontecer, o que é uma situação totalmente nova para o grupo e para Carille. Até há pouco, a campanha era irretocável, mas o desfecho ainda estava muito distante. Agora que o fim se aproxima, é o momento em que o time vem tendo seu pior desempenho. É a hora de usar a cabeça, saber suportar a pressão para seguir em frente.

O Grêmio, principal perseguidor do Timão na tabela vive outro tipo de pressão: o de não poder errar mais. Renato e seu time sabem que a chance de fazer a aproximação é agora, momento de instabilidade do rival. Só que ele mesmo não pode mais se dar ao luxo de tropeçar também. O torcedor gremista olha a campanha do segundo turno do Corinthians e esfrega as mãos. Até perceber que o seu time não conseguiu aproveitar os tropeços do rival no segundo turno. A distância permanece de longos sete pontos. Para o Grêmio, também é a hora de seguir em frente com concentração, sem olhar para a distância, mas sabendo que ela pode cair, como profetizou o próprio treinador gaúcho.

E há um novo ingrediente nesta disputa: o Santos, que venceu o Corinthians na Vila domingo e viu a distância para o líder cair para nove pontos. Ainda uma eternidade, mas o time segue na briga. Antes da partida Carille disse que uma vitória corintiana na Vila tiraria o rival da disputa. Aconteceu exatamente o contrário.

O campeonato de pontos corridos é uma como uma maratona. Há quem dispare na frente e administre o fôlego, há quem não larga bem, mas se desdobra na fase final. Em 2017, é como se o corredor Corinthians tivesse largado de uma forma espantosa, mas na metade final escorregou em determinado momento. O corredor olhou seu relógio, viu que sua velocidade diminuiu consideravelmente nos últimos momentos. Olhou para trás e percebeu que a distância para o segundo colocado permaneceu incrivelmente intacta.

Já o “corredor” Grêmio viu que o líder está cansado, tentou aumentar seu ritmo, mas não conseguiu, pelo menos por até o momento.

Ainda há muito chão pela frente. O Corinthians vive o paradoxo de estar cada vez mais perto do título e de estar mais ameaçado do que nunca. O Grêmio vive a expectativa de que as palavras de Renato Gaúcho (“o Corinthians vai desabar”) aconteça, mas ao mesmo tempo não faz a sua parte.

Faltou ainda uma outra questão que embaralha ainda mais a situação: todos os times que ainda lutam pelo Brasileiro terão compromissos importantes amanhã e utilizarão seus titulares. Todos vão precisar de muita cabeça para administrar tudo o que virá pela frente.



  • Leandro Oliveira

    O Corinthians líder do campeonato brasileiro é que não condiz com a realidade. Este time “retranqueiro” que alguns doentes da mídia chamam de o time mais europeu dos Brasil, não passa de um bom grupo que tem muita vontade e definição tática. Serão campeões? Pode ser, mas longe de dar espetáculo ou jogar um futebol de encher os olhos. Aliás, que time neste país joga desta forma?

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