O risco que o Grêmio corre



O sujeito parece viver um bom momento na vida. Está tudo bem no seu emprego, seu salário é bom e seu desempenho tem sido elogiado pelo chefe. Até que acontece um revés inesperado no meio do caminho: um cliente que parecia convencido a assinar um contrato na última hora assina com um concorrente. Aí, o sujeito dá uma fuçada na papelada que estava acumulada e esquecida na sua gaveta para tentar achar aquele outro contrato, que ele tinha deixado de lado.

– Quem sabe ainda dá pra convencer aquele outro cliente?

Ele acha o papel e cai na realidade: as condições para ter este contrato assinado são bem mais difíceis do que o outro, que acabou de perder. Aí, bate um certo arrependimento. – Por que eu não atendi o telefone aquele dia, quando esse cara me ligou pra fechar? – Por que eu faltei naquelas reuniões quando as condições pareciam melhores?

O sujeito é o Grêmio. O primeiro contrato perdido é a Copa do Brasil. O segundo, encontrado na gaveta bagunçada, é o Campeonato Brasileiro.

O Tricolor Gaúcho foi eliminado da Copa do Brasil depois de concentrar todos os seus esforços para chegar à final. Desde as primeiras rodadas Renato Gaúcho priorizou esta competição, escalando reservas no Brasileiro. No fim de semana, empatou em casa com o Atlético Paranaense pelo nacional quando pôs em campo todo o time suplente. Na mesma rodada, o líder Corinthians surpreendentemente perdeu para o Vitória em casa e ali havia uma chance de diminuir a gigantesca distância na tabela.

O Cruzeiro fez diferente: escalou quase todos os seus titulares contra o Sport no fim de semana pelo Brasileiro e quarta-feira despachou o Grêmio da Copa do Brasil. No segundo tempo da partida, os gaúchos pareciam mais cansados do que os mineiros.

O departamento de fisiologia do Grêmio provavelmente tem todos os estudos que indicaram a decisão tomada por Renato. Mas a pergunta que não quer calar é: será que não seria possível ao menos mesclar reservas com titulares em algumas partidas do Brasileiro ao longo da temporada?

Sim, ainda tem a Libertadores no meio do caminho, competição prioritária. Que agora ficou ainda maior porque parece ser a única possibilidade de título de um time que joga um futebol envolvente, corajoso e muito agradável de se ver.

Após o fracasso da quarta-feira, o Grêmio passou a correr um enorme risco: o de ser o time que todo mundo acha gosto de se ver, mas que disputou tudo e não conquistou nada em uma temporada. Na Copa do Brasil foi superado por um Cruzeiro organizado taticamente no confronto decisivo da semifinal. No Brasileiro, até aqui muito superado por um time que funciona como uma máquina de fazer pontos, baseado numa defesa forte e nas transições velozes até o gol.

Nas três competições de mata-mata que disputou até agora, o Tricolor gaúcho fracassou em duas (estadual e Copa do Brasil). Um número elevado para um treinador e um clube que concentraram todos os seus esforços nas competições com este modelo.

Ainda tem o Brasileiro pela frente e o confronto mais importante do ano, contra o Botafogo, pela Libertadores. Na primeira competição, a tarefa é muito complicada. Na segunda, dois jogos definirão tudo. Foram dois jogos que tiraram a chance de mais um título da Copa do Brasil para os gaúchos.



  • Fiel Sempre

    nao vai ganhar nada! kkkkkk

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