Que time você torce?



A pergunta do título desta coluna deve ser a que um jornalista esportivo mais ouve diariamente. Foi um questionamento parecido que Wagner Mancini fez ao repórter Felipe Garraffa, sábado.

-Você é corintiano?

Isso porque o jornalista formulou mal uma pergunta. Partiu de números equivocados e acabou dando a entender que o Vitória foi a Itaquera jogar por uma bola e que a estratégia deu certo, afinal o time baiano ganhou do Corinthians. Como se o triunfo fosse um golpe de sorte.

Sobre o time que um jornalista esportivo torce, minha resposta é sempre a mesma: é irrelevante. Ou ao menos TEM de ser irrelevante. Porque o bom jornalista sempre colocará seu ofício à frente da paixão clubística. Esta é uma regra que não pode ser quebrada. Quem não faz isso, não pratica o jornalismo (e isso não é nenhuma crítica ou acusação a Felipe Garraffa, que pode apenas ter cometido um erro como todos cometem em todas as profissões).

Há um entendimento errado de todas as partes sobre qual é a missão de um jornalista esportivo. O “jornalista” esportivo que entende sua missão como a de um porta-voz do clube do coração não entende a profissão. O torcedor, dirigente, treinador ou jogador que entende o jornalista esportivo da mesma forma também não faz ideia do que seja o ofício.

Virou obsessão de torcedores saber qual o time de coração dos jornalistas esportivos. E quando ouço esta pergunta, outras me vem à cabeça: o torcedor prefere ser informado por jornalistas simpatizantes do seu time ou não? Um jornalista que torce para meu time será mais ou menos isento do que um que não torce? Quem terá mais condição de trazer notícias e análises relevantes?

As respostas para estas perguntas podem apontar para todos os lados. Por isso mesmo esta informação TEM de ser irrelevante. Senão, não estamos falando de jornalismo.

Se atualmente chamamos de “Fla-Flu” qualquer embate de ideias (não apenas no esporte) quando queremos dizer como estamos radicais e polarizados, imagine como no futebol isso é ainda mais extremo. Isso porque trata-se de um ambiente em que as pessoas se reúnem em grupos com afinidades totalmente subjetivas e emocionais. Não há muito espaço para a razão.

Se o jornalista não for o ingrediente mais frio e racional desta salada, realmente estamos lascados.



  • José Verçosa Cavalcante

    Na minha opinião, todo profissional que trabalha e vive do futebol, seja ele da arbitragem ou da mídia, torce por um time. Agora, a questão é colocar de lado a paixão e valorizar sua profissão, não fazer perguntas tendenciosas (no caso jornalistas) ou favorecer no mínimo detalhe o “seu clube” (árbitros). Infelizmente, no Brasil, isso não acontece: já vi juízes e jornalistas vibrarem com gol, aqui mesmo em Maceió(Al) é famoso o caso de um juiz que estava atuando de bandeirinha, desmaiar em campo com a vitória de seu time.

  • Carlos Serrato

    Muitos jornalistas não se preparam com informações consistentes antes de fazerem perguntas e muitas são tendenciosas para gerar polêmica ( e com isso audiência), acredito que a forma de fazer jornalismo esportiva deve ser revisada.

  • Alexandre Braga

    Futebol é paixão, ninguém esta imune.

  • Ângelo Ramalho

    Conclusão sobre o texto Tironi: “…realmente estamos lascados”.

  • FRANCISCO Jannuzzi

    O repórter foi torcedor e não jornalista. Ele é corintiano mesmo e duvido que tenha feito pergunta semelhante ao Carille. Quando o Corinthians ganha com essa mesma forma de jogar ele não reclama, e deve ficar babando e tendo orgasmos na sala de imprensa.
    Todo jornalista tem seu time de coração, é normal, mas alguns exageram. O Plihal da ESPN é outro que quando entrevista são paulino entra em êxtase, dá para perceber a felicidade dele fazendo a reportagem.
    O nivel em geral é muito baixo, poucos são os que sabem analisar o jogo, principalmente antes e durante a partida. Comentar após o jogo é fácil, é como ser um engenheiro de obra pronta, fica aquele debate inútil do que o técnico deveria ter feito.

  • Thiago Silva

    Acho que o torcedor não tem como deixar de lado as preferências clubísticas de certos jornalistas, por que basta ver no eixo RJ-SP como são tratadas as abordagens dos clubes. Palmeiras e Vasco só são lembrados por seus momentos turbulentos, fracassos ou quando é alvo de gozação dos rivais. Botafogo e Santos chega a parecer que não existem pra imprensa, por melhor que sejam suas campanhas. São Paulo e Fluminense são os que recebem um tratamento mais razoável, não ao ponto de puxar sardinha, nem a fazer escárnio, mas tudo isso remete aos que são preferidos da mídia, a Band já se mostrou declaradamente corinthiana, salve-se ali a Renata Fan e o Denilson que mais são “humoristas” que jornalistas, a Rede Globo, mesmo quando a transmissão não é, arruma um jeito de citar o Flamengo, nos noticiários, quase metade do tempo é dedicado para se preocupar com o clube, enaltecer outros esportes do qual participa, e ainda mais agora com esse tal de Vinicius Jr, que estão sempre a arrumar um motivo pra falar do garoto. Ainda também tem a FOX que é um péssimo exemplo de jornalismo e que está sempre a produzir fofocas como notícia a fim de desestabilizar Clubes, tem a ESPN que possui uma fixação por Eurico Miranda tanto quanto esse tem pelo Flamengo, que todo mundo tá cansado de saber que o cara não presta, mas eles vão ao ataque com sangue nos olhos (quem viu o Juca Kfouri falando no Linha de Passe ontem entende o que digo). E isso por que não me refiro aos jornais, onde o Lance é quase 100% Corinthians, e um tal de Meia-Hora do Rio De Janeiro baba mais que o mais doente dos flamenguistas em fazer capa de jornal pró-flamengo ou visando lesar os outros clubes do Rio.

    E vale lembrar, nesse tempo só falei das ações dos jornais de RJ e SP, aí já dá para partir na validação do que Vagner Mancini falou. Domingo o Bahia ganhou o Vasco por 3 a 0, e qual é a matéria principal? Vasco perde para o Bahia e se complica, não valoriza o feito do clube nordestino. Outro exemplo? Basta ver a campanha do Sport, um time de renegados. Onde foi reconhecido o feito de estar entre os 10 primeiros? Outro caso: Vitória vence Corinthians e ensaia saída do Z-4. Qual a Capa? Corinthians perde a invencibilidade para time baiano, mas permanece na liderança. Sim, sem nem citar o Vitória. Enfim, é um descaso quanto ao tratamento de times fora do eixo. Até mesmo quando a Dupla Grenal, Atletiba ou Cruzeiro e Atlético-MG fazem algo expressivo é de difícil reconhecimento.

  • carlos alberto brandao

    Corporativismo puro. Um incompetente , viu um jogo que só ele viu, faz uma pergunta que só um fanático faria, e recebe uma resposta que mostra quão péssimo jornalista o cara é, e distorcem, com mimimi, para no final se ficar com a impressão de que o mano no errou. Não errou suas antas

  • Charles Ubiratan

    Os jornalistas, para fazer média com o time que tem maior torcida, sempre tende a puxar o saco desse time.

  • Rodolfo

    O jornalista não formulou mal a pergunta, ele foi o que sempre é… tendencioso! A imprensa, salvo raríssimas exceções é assim, expõe a paixão e esquecem do profissionalismo. O Neto é o grande perfil de torcedor com o poder do microfone, isso acontece demais e, claro, que a linha editorial também tem essa tendência. Na Globo esse absurdo é claro em sempre favorecer Flamengo em primeiro lugar, depois o Corinthians e isso não é de hoje. Lógico que falhas das arbitragens sempre acontecerá, mas não da forma como acontece com esses clubes, chegar ao ponto de deixar um repórter atrás do gol para informar pressionar o segundo árbitro em qualquer jogada que contrarie as intensões da emissora dos Marinhos!

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