E se der tudo errado?



Botafogo, Cruzeiro, Flamengo e Grêmio iniciam hoje a fase semifinal da Copa do Brasil. É uma das principais chances de títulos dos quatro times na temporada. O óbvio: apenas um poderá ser o campeão, o que significa o fracasso de outros três.

Ninguém entrará em campo hoje focado no fracasso, mas ele poderá acontecer. Assim como poderá acontecer em setembro, quando Santos, Grêmio, Botafogo e Flamengo entrarão em campo novamente, desta vez pela Libertadores ou Copa Sul-Americana.

E aí é que os eliminados farão a reflexão necessária sobre como trabalharam com o insano calendário brasileiro.

Após mais uma vez ter escalado reservas no Brasileiro, na partida contra o Botafogo, Renato Gaúcho aparentemente jogou a toalha. Anunciou que usará “a molecada” no campeonato para centrar todos os esforços nas duas competições de mata-mata que o clube disputa.

Levir Culpi foi mais ou menos na mesma linha. Não escalou a força total e apenas empatou em 0 a 0 com o Fluminense no Pacaembu, segunda-feira. E disse que agora ficou muito difícil tentar o título brasileiro, que fica a cada dia mais nas mãos do Corinthians.

Cuca chegou ao Palmeiras, afastou ou encostou jogadores que ele não aprecia, focou toda a energia no jogo contra o Barcelona de Guayaquil pela Libertadores. Parou na disputa de pênaltis. Aí, olhou para a tabela do Brasileiro e viu que o máximo que poderá fazer será um segundo turno bom, o que não deixa de ser um amargo prêmio de consolação para quem esperava papar tudo no ano.

A atração e a falsa ilusão de caminho mais fácil que os torneios de mata-mata provocam em treinadores, jogadores e cartolas fizeram com que vários times tratassem o Brasileiro sem a importância que ele merece este ano. Porém, o nacional por pontos corridos é o menos traiçoeiro dos campeonatos do calendário. Ninguém perde um ano com apenas um tropeço. Na Libertadores, Copa do Brasil e Sul-Americana isso acontece. E com certa frequência.

Mas parece que ninguém ainda se deu conta disso e agora já é tarde demais. Quem fracassar este ano terá ao menos uma lição: não repetir a estratégia ano que vem.



  • Paulo Pinheiro

    Perfeito comentário. Assino embaixo.

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