Muitos jogadores, nenhuma ideia



Fora do Brasil é mais simples reconhecer a forma de um time jogar. Não todos, mas ao menos alguns. Há muitos anos o Barcelona fez da posse de bola a sua forma de chegar às vitórias. A era Guardiola potencializou isso. O Arsenal de Arsène Wenger adora a troca de passes e praticar um jogo bonito de se ver. Nem mesmo os fracassos esportivos dos últimos tempos fizeram o clube mudar sua rota.

Isso é uma raridade no Brasil. O Grêmio de Renato Gaúcho, por exemplo, tem uma forma clara de se jogar: posse de bola, um meio-campo que troca muitos passes, jogo ofensivo a maior parte do tempo. Mas esta é uma característica específica de um time do Tricolor Gaúcho, que já teve diversas formas de atuar ao longo de sua história. O Grêmio de hoje não é igual na forma nem mesmo a outros Grêmios de poucos anos atrás.

Durante um ano, o Flamengo atuou da forma que Zé Ricardo gostaria. Agora que ele saiu de cena, ninguém tem uma ideia exata do que virá com Rueda ou qualquer outro treinador que assuma o comando. No caso do colombiano, é possível crer que seguirá tendo posse de bola, mas será que terá a forma que apresentou até outro dia?

O Santos viveu um ano com Dorival tendo posse de bola, laterais saindo para o jogo pelo meio, um volante começando a armação quase dentro de sua própria área. Levir Culpi chegou e criou o Peixe Doido, uma versão do que tinha feito no Galo outro dia mesmo: jogo franco, troca de golpes…

Quarta-feira Palmeiras e Atlético Mineiro foram eliminados da Libertadores. Seus elencos caríssimos e recheados de jogadores badalados não resultaram em um time, com um jeito claro de atuar.

No caso do Palmeiras, Cuca desmanchou todo o trabalho (incipiente é verdade) que Eduardo Baptista havia deixado. Pautou-se pela sua maneira de armar o time e, assim, abriu mão de jogadores que chegaram para a Libertadores, casos de Felipe Melo, Borja e Michel Bastos. O Palmeiras de Cuca em 2018 nunca chegou a ser um time de verdade. Falta tempo, óbvio. Mas também falta a filosofia de jogo que deveria partir da direção: o que queremos praticar?

Clubes vão seguir gastando montanhas de dinheiro se continuarem a entupir seus elencos com jogadores caros achando que apenas isso resultará em títulos ou mesmo em vitórias. O Galo apostou no mesmo expediente, tentou com Roger Machado, abriu mão de seus serviços e agora é um arremedo de time nas mãos de Rogério Micale que, justiça seja feita, acabou de chegar e está tão perdido como todos. Que tipo de jogo o Galo quer mostrar em campo? O presidente só tem uma resposta, a que deu quarta-feira, após a eliminação: “Exigimos a presença no G6”. Como? Não se sabe.

O Corinthians, que faz tudo errado fora de campo, como demonstrou o último balanço financeiro divulgado, acerta em tudo dentro dele. Desde que Tite apareceu por lá em 2011, o clube mudou de rota pouquíssimas vezes em sua maneira de atuar. Empilhou títulos com uma receita de jogo que todos conhecem lá dentro.

O líder disparado do Brasileiro é um dos poucos, senão o único time do país, que tem carimbada sua filosofia. O jeito Corinthians de ganhar.

Os que foram eliminados quarta-feira da Libertadores nem sequer um time ainda tem. Uma forma de jogar que os simbolize, então, é quase um sonho.



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