Felipe Melo, Neymar e a imagem



Imagem é tudo, diz a propaganda de um refrigerante. A semana que passou foi fértil para se debater o assunto no mundo do futebol. Felipe Melo e Neymar, cada um à sua maneira, nos mostraram como o comportamento determina a visão que se pode ter de alguém. Quando se fala de pessoas absurdamente conhecidas, multiplique isso por mil.

Além de ser um excelente jogador, Felipe Melo também fez do seu comportamento um ativo importante para montar sua imagem. Sempre foi falastrão, sempre posou de jogador raçudo, corajoso e sem papas na língua. Em sua apresentação no Palmeiras foi logo dizendo que “daria tapa na cara de uruguaio na Libertadores”. Depois recuou um pouco. A torcida e a diretoria abraçaram a ideia de ter um jogador assim no ano em que o clube tinha (e ainda tem) obrigação de levantar taças. A mais importante delas, a do torneio sul-americano, ainda é possível.

Mas a receita desandou. Primeiro, uma contusão e uma suspensão nada bem-vinda na Libertadores. Depois a mudança de treinador, que o tirou da condição de líder do time para um reserva incômodo. Vaza o áudio do Whatsapp e pronto: toda a imagem que continha uma carga positiva de jogador que luta pela camisa que veste se desmanchou.

Agora, Felipe Melo tem que arrumar outro clube para jogar, mas não vai conseguir se desfazer da imagem de brigão e jogador-problema, que ficou mais forte após a passagem fracassada no Palmeiras. Se no mundo do futebol imagem é muito importante, o volante tem um trabalhão pela frente.

Desde que surgiu a notícia de uma negociação para que Neymar fosse contratado pelo Paris Saint Germain o jogador se calou. Passeou com seus carrões, treinou com o clube catalão, tirou foto abraçado com Piqué. Deixou tudo, como sempre, na mão de seu staff capitaneado pelo seu pai. Como se ele não interferisse no seu próprio destino ou não tivesse o que dizer. Não significa que tenha palpitado, mas estamos falando de imagem e, ao longo da carreira, o jogador sempre se comportou como alguém guiado por quem o cerca.

Informações desencontradas somadas à expectativa de uma definição foram arranhando a imagem do jogador junto à torcida do Barcelona. Chegou ao ponto de jornais catalães publicarem textos dizendo que o clube não poderia se sujeitar aos caprichos de um “menino mimado”. Olha aí a imagem novamente sendo construída, seja baseada em verdade ou em meras impressões envenenadas pelo sentimento de traição.

Os casos de Felipe Melo e Neymar são bem interessantes. O primeiro construiu a imagem de corajoso, indestrutível, brigão e que usa a camisa do time como se fosse uma armadura. As cores e o escudo da instituição seriam como um território a ser defendido, a honra de uma nação. Acabou escanteado pelos próprios companheiros e com um nó complicado de se desatar: convencer alguém que é possível ser tudo isso sem fazer o copo transbordar.

Já Neymar foi o inverso. Se fechou, não falou uma palavra, mas como um de seus últimos atos, brigou em um treino com um companheiro de clube recém-chegado. Passou a imagem (certa ou não) que a camisa que veste serve para aumentar o número de zeros à direita de sua conta bancária.



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