A nova moda dos técnicos



O futebol brasileiro vive de tendências na escolha de treinadores. Passamos por uma época em que medalhões eram as grandes estrelas da companhia. Pós-Telê Santana, talvez o último de uma era pré-super profissionalismo, vieram Luxemburgo e Felipão. Foram os dois maiores exemplos dos chamados “ super-técnicos”, com salários milionários e disputados a tapa pelos clubes.

Recentemente passou também a onda dos técnicos estrangeiros. Começou com uma aposta que deu errado do Palmeiras, Ricardo Gareca. Depois, apareceu o colombiano Osorio no São Paulo. Fez um relativo sucesso (mais de crítica do que de público, é verdade), mas deixou rastros e outros clubes também apostaram nos gringos, como o próprio São Paulo com Bauza e o Cruzeiro com Paulo Bento.

O diagnóstico pós-7 a 1 foi o de que nossos professores estavam defasados com o que acontecia no mundo (o que não deixa de ser verdade) e a solução foi buscar estrangeiros. A cada vaga de treinador que surgia, levantavam o nome de Reinaldo Rueda, do Atletico Nacional da Colômbia, ou outro figurão lá de fora.

Esta onda também já está mais baixa. O que parece ganhar espaço agora é o treinador novo, estudioso e não-medalhão. O Palmeiras apostou em Eduardo Baptista, o Flamengo deu crédito a Zé Ricardo e o Corinthians efetivou Fabio Carille, auxiliar de Tite. Eduardo ja caiu. Roger Machado não sobreviveu aos maus resultados e foi demitido do Galo. Para o seu lugar foi chamado um exemplo da nova geração: Micale, treinador da Seleção campeã olímpica em 2016.

Sujeito educado, fala bem, tem na cabeça muitos conceitos sobre o futebol que se pratica hoje no mundo, embora seu desempenho à frente da Seleção olímpica, apesar da conquista, ficou com um ar de não ter feito mais do que a obrigação. Sobretudo considerando que tinha um elenco estrelado que enfrentou adversários amadores. Não custa lembrar o sofrimento na final contra a Alemanha quando a conquista veio apenas nos pênaltis.

Mas de qualquer maneira Micale é desta nova geração que ainda procura ganhar espaço no mercado. Vai dar certo? Ninguém sabe. A única certeza é q de que não há convicção da direção do Galo na aposta ou de qualquer outro clube quando demite um e contrata outro. Quando não se tem certeza, a saída mais fácil é seguir o que os outros estão fazendo.



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