Trabalhos incompletos favorecem jogo reativo



A quarta-feira do Brasileiro terminou com dois treinadores demitidos e mais um perto da demissão.

Pachequinho foi mandado embora do Coritiba após a goleada sofrida para a Ponte Preta por 4 a 0. O time começou o campeonato de forma surpreendente, mas foi perdendo o poder ao longo das rodadas. Agora, está na 13a posição, ainda quatro pontos acima da zona do rebaixamento.

Interessante notar a expectativa criada sobre os times no começo da temporada. A presença do Coritiba nas primeiras colocações era o fato excepcional. A briga na metade de baixo da tabela tem sido a regra para o clube paranaense. E não há nenhum demérito nisso. Gigantes e nanicos enfrentam bons e maus momentos.

A impressão no caso do Coritiba é a de que foi criada uma ilusão não alinhada com a realidade. Sobrou para o treinador. Esta expectativa vale tanto para times estrelados como para times operários, tanto para milionários quanto para times de menor orçamento. A continuidade de um trabalho, com a manutenção de comissão técnica e jogadores é o caminho mais sólido para o sucesso.

Mas isso é raro no Brasil. E chegamos à demissão de Roger do Galo. Elenco farto, mas resultados aquém do esperado. De novo, a expectativa criada. Não importa se vários outros treinadores não conseguiram acertar um grupo caro, estrelado, mas claramente desequilibrado. A culpa recai no treinador depois de menos de um ano. É possível evoluir desta forma?

E quanto ao Flamengo? Trabalho de longo prazo e campanha… como classificar a campanha do Flamengo? Com 55,6% de aproveitamento e a quarta colocação, o time ainda sonha com o título e com vaga na Libertadores. O problema parece ser a campanha anormal do Corinthians, que puxa a régua do desempenho para cima e pressiona todos os que estão abaixo. Mais ainda quem fez investimentos gordos como Flamengo, Palmeiras e o próprio Galo.

Em um momento do futebol brasileiro em que os times que mais fazem sucesso são aqueles fortes defensivamente e que não têm preocupação de ter a posse de bola, é curioso notar como é dura a vida de quem tenta fazer o caminho inverso. Eduardo Baptista, Rogério Ceni e Roger tentaram e fracassaram, massacrados pela ditadura do resultado imediato. Zé Ricardo balança.

Estamos estacionados em um ponto: não conseguimos produzir times que trabalhem a bola porque eles demandam tempo de trabalho e isso é artigo raro. Assim, sempre será difícil este caminho. O mais seguro continuará sendo o do jogo reativo.



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