Eficácia no Brasileirão



Eficiência consiste em fazer certo as coisas. E eficácia consiste em fazer as coisas certas. Na construção das duas frases foram usadas praticamente as mesmas palavras, a diferença está na ordem em que elas aparecem. E (uma das maravilhas da língua portuguesa) o sentido muda completamente.

Eficiência e eficácia, essas palavras parecidas, mas com sentidos diferentes, podem explicar alguns jogos deste Brasileirão. Praticamente em todas as rodadas em pelo menos uma partida temos visto times eficientes serem superados por times eficazes. O melhor time é aquele que consegue ser eficiente e eficaz no mais alto grau possível. Mas em alguns jogos deste campeonato, a eficácia tem sido a protagonista.

Quarta-feira à noite o São Paulo, pressionado por uma sequência de três jogos sem vitórias (duas derrotas e um empate), encarou um de seus maiores pesadelos: o Atlético Paranaense na Arena da Baixada. E, como sempre, não venceu, Pior: perdeu novamente.

Mas os números do jogo, que Rogério Ceni tanto adora, mostram que o que faltou foi eficácia para um time que foi eficiente a maior parte do tempo. O Tricolor teve 60% de posse de bola e finalizou 27 vezes contra o gol adversário. Já o Furacão teve (em casa, bom frisar) 38% de posse de bola e apenas nove finalizações. Aí é que entra a eficácia. O Atlético finalizou certo oito vezes e em uma delas fez o gol da vitória. O São Paulo errou 22 das suas tentativas e nas cinco em que acertou a bola não entrou.

O Furacão, que emendou sua terceira vitória seguida e saiu da zona de rebaixamento, talvez seja o maior exemplo de eficácia das últimas rodadas. Antes de afundar o Tricolor, fez o mesmo com Atlético Goianiense e Atlético Mineiro. Nas duas ocasiões teve menos posse de bola, menos finalizações, mas saiu de campo com 1 a 0 e três pontos.

Contra o Dragão teve a bola em apenas 38% do tempo e chutou a gol nove vezes, três no alvo, e fez um gol. O adversário teve 62% de posse, 23 finalizações, apenas sete certas.

No jogo com o Galo os números foram ainda mais impressionantes: Furacão com 36% de posse de bola e seis finalizações, quatro certas (um gol). Os mineiros tiveram 64% de posse, 27 finalizações, apenas seis no alvo.

No futebol, com o tempo, a eficiência pode levar à eficácia. Com mais chances de gol, por exemplo, é mais provável que a bola entre mais. Por isso é comum vermos jogadores derrotados saírem de campo com a frase: “a bola não quis entrar.” De fato, muitas vezes ela se recusa a entrar, sobretudo quando é chutada por um time que é pouco… eficaz.

Aqui entra outra questão. Nem sempre (para não dizer nunca) dirigentes e torcedores estão atentos à eficiência. Neste mundo em que o resultado é obrigação imediata o tempo todo, a eficácia é mais valorizada. Não importa o quanto um time produziu, se ele teve alto nível de eficácia, o emprego do treinador está garantido por pelo menos mais uma rodada. É desta forma que se joga fora trabalhos que podem render frutos interessantes um pouco mais adiante.



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