São Paulo é como uma obra que nunca acaba



Um dos maiores temores do cidadão é de obra em casa. Porque elas invariavelmente atrasam muito, chegando a dar a impressão de que nunca acabarão, condenando o sujeito a viver eternamente entre vigas, tropeçando em ferramentas e tossindo com o pó.

Esta é mais ou menos a sensação que o torcedor do São Paulo sente desde que a seca de títulos se instalou no Morumbi. O sentimento de que o clube é uma obra que nunca vai terminar. Quando parece que um caminho foi achado, ele é repentinamente rompido para se começar tudo de novo. Todo mundo já teve a péssima lembrança de ouvir um mestre de obras dizer que foi encontrado um vazamento inesperado no meio da tubulação e que você terá que abrir o bolso um pouco mais. E além disso a obra vai atrasar. É o que ouve o são-paulino há anos.

Rogério Ceni chegou com a proposta de fazer um time ofensivo, que jogasse o tempo todo no campo adversário, pressionando. As eliminações em série no Paulista, Copa do Brasil e Sul-Americana forçaram o treinador a mudar de planos. Foi a primeira interrupção de um caminho.

No meio disso tudo, alguns jogadores foram negociados: David Neres (talvez a maior joia nascida no clube em anos), depois Luís Araújo. Antes, Lyanco. A ideia de apostar nos jogadores da base para ajudar a formar o time também ficou pela metade. Vender virou a prioridade.

Cansado de tomar gols, Ceni mudou o sistema, apostou em três zagueiros e a coisa funcionou razoavelmente. O treinador insistiu com Lucão, que não entregou e está de saída. Maicon, uma das grandes contratações do clube outro dia mesmo (“God of zaga”, lembram?), também está indo embora. Um novo trio de zagueiros terá de ser treinado e pronto Aí esta mais uma obra inacabada.

Terça-feira, o diretor de futebol Vinícius Pinotti veio a público dizer que o elenco precisa de um chacoalhão. Desde o humilhante 6 a 1 contra o Corinthians em 2015 o clube já anunciou uns três chacoalhões. Estamos em junho, na metade da temporada, e o clube ainda vende e tenta comprar para montar um grupo que consiga entregar o que se desejou: pelo menos uma vaga na Libertadores.

Se você se desespera quando o mestre de obras sujo de poeira chega e diz mansamente que vai entregar a obra na sua casa só daqui a dois meses, pense no São Paulo. Ele sim, é uma obra que não tem fim.



  • Eidur Rasmussen

    Rumo ao rebaixamento.

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