Brigões não se importam



Curitiba viveu domingo situação que todo mundo está cada vez mais acostumado a ver e quase nem liga mais: briga de torcidas, desta vez entre corintianos e coxas.

A cena mais chocante foi a de um corintiano caído no meio da rua. Ele é cruelmente espancado pelos torcedores do Coxa. A surra só para quando um sujeito de verde (provavelmente torcedor do Coritiba) interfere, afasta todo mundo e de certa forma “protege” a vítima de um massacre ainda maior.

O delegado de polícia chegou a identificar o sujeito e a decretar sua morte. Para surpresa de todos, horas depois Jhonatan da Silva apareceu em fotos nas mídias sociais com escoriações e curativos no rosto, mas sorrindo e fazendo sinal de positivo.

Entre o espancamento e a “ressurreição”, uma onda de indignação tomou conta das redes sociais, blogs e programas de TV. Todos espantados com tamanha selvageria contra um rapaz desacordado. Coisa de animal, mesmo. Autoridades foram cobradas, legislação mais rigorosa idem.

Mas as duas cenas (o espancamento e a foto da vítima fazendo positivo) levam a uma constatação interessante. Tudo o que aconteceu está dentro do script e de um código próprio que rege as organizadas. O torcedor do Coxa que “salva” o corintiano no meio da rua nada mais fazia do que seguir as regras destas gangues: bater, não assassinar (porque afinal matar pode ser mais problemático do ponto de vista legal).

A vítima fotografada depois da sova sorrindo e fazendo positivo é outro recado: “Estou bem, pronto para outra. E quem bateu não bateu tão forte, porque já estou legal.”

No fim das contas, o que fica é a sensação de que toda a sociedade se importa mais com as brigas de torcida do que os próprios brigões. São figuras que vivem em função disso e que não se espantam com toda a selvageria como o cidadão comum se espanta. Pelo contrário: gostam disso.

Evidente que não é o caso de o poder público deixar os brigões se matarem. O cidadão deve ser protegido sob qualquer hipótese. Mas quando se percebe que na verdade o que esta turma gosta mesmo é disso, o choque fica mais suave.



  • Mário Luiz A. silva

    São bandidos travestidos de torcedores e a vítima com aquela cara de papudinho já diz muita coisa. Quanto ao torcedor que evitou um evento mais grave, vi uma entrevista dele em um noticiário e me pareceu sincero na intenção. Em todos grupos heterogeneos sempre há os bons.e os maus.

  • Cássio Nascimento

    o maluco tem ossos de adamantium, se eu tivesse tomado aquelas bicudas que ele levou na costela ia urinar sangue até o fim do ano.

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