A conta e o pote de ouro



Corinthians e Flamengo despontaram como Barcelona e Real Madrid brasileiros há alguns anos, quando novos contratos de TV foram negociados e eles passariam a ganhar mais dinheiro do que seus rivais. Como você sabe, na prática isso não se confirmou e não há até agora supremacia da dupla.

Mais ou menos no mesmo momento, os dois clubes adotaram políticas diferentes. O Flamengo trilhou um caminho de austeridade financeira e diminuição de dívida que sacrificaria o time em campo, mas com o pote de ouro no fim do arco-íris como grande prêmio ao final do processo.

Para ter seu estádio próprio, o Corinthians mergulhou numa aventura perigosíssima. Se o que foi acordado for cumprido, a dívida é dificílima de ser quitada. A esperança é a de que algo fora do script aconteça, se é que você me entende. Mas acreditando que tudo siga como está, a conta chegará uma hora.

A conta vai chegar, o prêmio vai chegar. Estes são os pontos de um mesmo discurso. A cartilha aponta há anos que o caminho do sucesso está na responsabilidade administrativa e alerta que a gestão irresponsável levará ao abismo. Esta incompetência já puniu o Corinthians, rebaixado em 2007. Porém, o que se viu depois disso foram anos de muito sucesso, com títulos empilhados ano a ano desde 2011. E fora de campo a gestão corintiana não é o que se pode elogiar.

Por outro lado, o Flamengo fez tudo certo. Apertou o cinto, diminuiu a dívida, firmou contratos vantajosos, conseguiu mudar o patamar de contratações. Mas em campo o tal pote de ouro ainda não chegou e as críticas à direção começam a pipocar.

Os defensores do caos que reinou (e ainda reina em muitos clubes) historicamente no futebol brasileiro esfregam as mãos. As frases conhecidas aparecem: “Futebol é bola na rede.” “Ninguém comemora diminuição de dívida.” “Pagar conta não adianta nada se o time não ganha.”

Fato é que no retrato do Campeonato Brasileiro deste ano vemos a seguinte situação: liderança do time que tem elenco modesto e um técnico que está lá apesar de todos os esforços da diretoria para que outro estivesse. Do outro um elenco recheado, mas um time que está entregando muito menos do que se imaginava.

Cenário perfeito para análises apressadas de qual caminho é o correto. Vamos com calma.



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