‘Isso aqui é Flamengo’



Você já ouviu a frase do título desta coluna ao longo de sua vida várias vezes. Ela tem um significado amplo: de que é um clube guerreiro, gigante, importantíssimo… ou provavelmente tudo isso junto, de forma que a melhor maneira de resumir é dizer que – Isso aqui é Flamengo.

O time conquistou uma vitória muito difícil em condições desfavoráveis? É porque “isso aqui é Flamengo”. Torcedores apareceram em peso na porta de um hotel do outro lado do mundo? É porque “isso aqui é Flamengo”.

Ronaldinho Gaúcho, encantado com sua apresentação na Gávea conseguiu falar pouco mais do que “Flamengo é Flamengo”, uma espécie de variação sobre o mesmo tema.

De modo que o Rubro-Negro, sua torcida e seus jogadores podem ser qualquer coisa, mas não podem ser indiferentes nem se mostrarem indiferentes em determinados momentos.

Racionalidade e frieza são atributos fundamentais para um dirigente de clube. A história mostra que atitudes intempestivas muitas vezes resultam em prejuízo a médio prazo. O contrário indica que o caminho à frente pode render bons frutos. A manutenção de Tite no comando do Corinthians após o vexame diante do Tolima talvez seja a prova mais recente disso. O Timão papou quase todos os títulos possíveis depois daquele triste episódio de 2011.

Para deixar muito claro: não há aqui uma defesa de rompimento de um trabalho ou, para ser mais claro: “Zé Ricardo não deve ser demitido do Flamengo após a inacreditável eliminação da Libertadores na noite de quarta-feira.” Mas por outro lado ela não pode ser encarada apenas como mais uma derrota.

Estar fora da Libertadores, ainda na primeira fase da competição é algo grave. É para se lamentar demais, sobretudo se o holofote for apontado para um passado recente: o Rubro-Negro está se tornando um especialista em eliminações vexatórias de torneios internacionais. O clube esteve pela última vez numa semifinal de Libertadores em 1984. Levantou seu último e único título em 1981, com o mítico esquadrão de Zico e companhia.

Toda esta longa introdução para chegar ao ponto central da questão. O presidente do Flamengo não poderia encarar o que se passou em Buenos Aires quarta-feira com a sua fleuma característica. Se não é momento de grandes mudanças na rota (e não é mesmo), ao menos o torcedor teria de sentir que o seu principal mandatário está sofrendo como ele, torcedor comum.

Claro que cada um tem o direito de sentir um revés de formas diferentes. É possível que Bandeira de Melo estivesse destruído por dentro quando deu sua entrevista pós-eliminação. E foi importante ele deixar claro que não haverá mudanças, até para tranquilizar o ambiente.

Mas seria muito importante também que ele reconhecesse o fracasso esportivo do Flamengo nos anos da gestão da Chapa Azul e que ao menos sinalizasse com algum tipo de interferência ou análise. Lembrando: até agora na atual gestão apenas um título nacional foi conquistado (a Copa do Brasil). Pouco para o clube de maior orçamento e maior torcida do país.

Bandeira de Melo e seu grupo fazem um trabalho irrepreensível do ponto de vista financeiro. Há um processo de reerguimento de um gigante que parecia impossível. Os frutos inevitavelmente virão. Mas na madrugada trágica de quarta para quinta-feira o torcedor queria mais do que a confiança no trabalho. Queria ver o presidente dizer que “Isso aqui é Flamengo”.



  • Charles Ubiratan

    Pipocam sempre ! No Oba Oba ou com ajuda da Juízada, Wright que o diga !

  • Eduardo Bosi

    Isso aqui é Wright – Isso aqui é Globo – Isso aqui é CBF – Deveriam usar essas frases ai….Esse tal de flamidia é a maior farsa do futebol brasileiro…para com isso…

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