Só punição pode acabar com a cafajestagem



Para quem vislumbrou um futebol mais limpo a partir do ato de fair play de Rodrigo Caio, o fim de semana foi um triste choque de realidade. Um show de simulações, entradas desleais, violentas, etc…

O “show” que Antonio Carlos fez na beirada do campo fingindo ter sido atingido no rosto por um jogador do Caxias na semifinal do Gauchão foi o ato mais simbólico, mas muitos outros ocorreram ao longo de dois dias de bola rolando.

Ter um gesto pilantra desses desmascarado pelas câmeras chega a ser engraçado e certamente é humilhante para o infrator. Além disso, mostra o caráter de cada um (no sentido restrito ao campo de jogo, que fique bem claro).

Mas a revelação é apenas parte da punição. O julgamento público é cruel, mas não é o suficiente. É necessário punição severa. Neste aspecto, os tribunais esportivos têm papel importantíssimo.

Vistos por muita gente como uma entidade que mais atrapalha do que ajuda o futebol, os TJDs (Tribunais de Justiça Desportiva) espalhados pelo país e mais o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) deveriam iniciar uma cruzada contra a simulação e a deslealdade.

O problema será, como sempre, a sensação de impunidade. Se uma punição em primeira instância for derrubada com liminares ou se transformar em pena alternativa sem nenhum reflexo no campo de jogo, será apenas mais um incentivo a atos lamentáveis que vimos neste fim de semana e temos visto frequentemente.

O julgamento público (desde que justo e sem exageros) e a punição severa são armas poderosas. Um grande exemplo é a mudança de comportamento de Neymar, que abandonou as simulações teatrais à medida que o público reprovou esta atitude na Europa.

Difícil imaginar que a disciplina e o fair play nascerão dentro dos campos de futebol apenas pela consciência do que é certo e errado dos jogadores. Até porque no campo esta noção é bem elástica.

O uruguaio Pablo Forlán (ídolo do São Paulo nos anos 70 e que muitas vezes jogava de forma violenta), foi perguntado sobre atos desleais em campo e falou segunda-feira em um programa de TV: “Naquela época não haviam tantas câmeras, então era mais fácil”.

Ou seja: o jogador continua com as mesmas práticas, só que agora sob olhares mais atentos. Portanto, não espere que parta deles a boa vontade



  • Mário Luiz A. silva

    Esse Antonio Carlos é um péssimo ator, em meu filme não seria nem figurante.

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