A vida pós-fair play



O ato de Rodrigo Caio foi tão raro (triste constatar isso) que nem todos os olhares para ele foram debatidos. Aqui vai mais um, mirando o futuro.

Tenho uma curiosidade imensa para saber como será a rodada do futebol brasileiro de hoje. E do próximo fim de semana, do próximo mês, do próximo ano. Quantos outros Rodrigos Caios vão surgir nos gramados do país após o original dar uma linda manifestação de honestidade?

Meu desejo é o de que vários apareçam. Meu pessimismo me abraça, faz um carinho na minha cabeça, me senta num sofá confortável e fala baixinho no meu ouvido: “esqueça. Tudo vai voltar ao ‘normal’, como sempre foi”.

Talvez este seja o pior prejuízo que se possa ter neste caso. A sensação de que foi um ato isolado, que pouco serviu para subirmos um degrau rumo à civilidade. Foi incrível o apoio que o jogador tricolor teve de rivais e de parte dos são-paulinos. Mas se o fim disso tudo for tapinhas nas costas, ficará apenas a lembrança de um sabor gostoso e passageiro na boca.

Jô falar em caráter é interessante, mas queremos que ele não cave mais pênalti como fez contra o São Bento no começo do Paulista. Fernando Prass discursar que no Brasil “o correto é chamado de babaca” é corajoso, mas queremos que ele admita que fez um pênalti claríssimo em Pottker em Campinas, domingo. E que da próxima vez avise ao juiz da infração que cometeu.

A imprensa quase toda aplaudir de pé o gesto de Rodrigo Caio é valoroso, mas as perguntas desconfortáveis devem ser feitas para Zé Roberto, quando ele fingir ter sido atingido por um tiro no rosto quando sofreu uma cotovelada no peito. E quando a Seleção Brasileira tiver um gol impedido validado, temos que lamentar em vez de declarar o de sempre: “se o árbitro não viu, sorte nossa”.

Quando o treinador do seu time disser que “não comenta arbitragem” quando for beneficiado e reclamar dela quando for prejudicado, você deve reprovar. E esquecer a paixão. Difícil, não é?

Afinal, que futebol queremos? O dos bons exemplos que viram apenas um quadro na parede ou aquele em que a honestidade é um valor inegociável? Para que o futebol da honestidade vença, só Rodrigo Caio não será suficiente.



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