Aula de organização de Mano



Empurrado pela torcida que foi em ótimo público ao Morumbi, o São Paulo começou o jogo elétrico, impondo marcação no campo de ataque. Mas enfrentou um sistema defensivo muito bem postado do Cruzeiro.

A Raposa se fechava, mas não muito atrás. Deixava a posse de bola com o rival, mas de maneira muito bem controlada. Normalmente, o único jogador são-paulino que trabalhava livre com ela era Maicon, que não é um bom passador. Várias vezes foi obrigado a lançamentos longos sem efetividade.

Mas não dá para dizer que o Tricolor foi apenas isso. Ele teve o domínio territorial passou boa parte do tempo trabalhando a bola em busca de um espaço, com Luiz Araújo aberto de um lado, Welington Nem de outro e Lucas Pratto pelo meio. E aí ficou claro a falta de um jogador: Cueva. Sem o peruano, as tentativas de penetração na área mineira ficaram reduzidas e o time passou a cruzar bolas na área, poucas com perigo de verdade.

Apesar da pressão do São Paulo, o jogo não estava desconfortável para o Cruzeiro. O time de Mano esperava uma roubada de bola na intermediária que deixaria algum atacante na cara do gol. Algumas chances aconteceram, mas aí apareceu um gigante Maicon, perfeito nas antecipações e nos desarmes por baixo.

E Rogério Ceni seguia tentando… em determinado momento, trocou Wellington Nem e Luis Araújo de lado, sem efeito.

Há uma tentação de se elogiar jogos em que muitos gols acontecem e que as chances de marcar não param de acontecer. Mas há jogo bom de uma outra forma de se olhar. O do duelo tático, das tentativas de um lado de furar um bloqueio bem feito e de outro de aproveitar as brechas deixadas pelo rival. Mesmo que o gol efetivamente não saia. O primeiro tempo foi assim.

Os times voltaram para o segundo tempo sem alterações. O São Paulo se via em uma dúvida: abrir mais o meio de campo tirando um dos volantes para colocar um meia (que não poderia ser Cueva) para tentar abrir espaços correndo o risco de perder o meio? Ceni não fez isso, seguiu apostando na marcação na frente e na pressão.

Um problema surgiu. Dificilmente um time consegue imprimir por um jogo inteiro uma pressão tão grande como a que o São Paulo se propõe. Assim, o Tricolor foi menos efeitivo e começou a dar espaços perigosos para o Cruzeiro, recompondo o meio-de-campo mais devagar quando perdia a bola. Tudo o que o Cruzeiro queria.

Com 15 minutos, Ceni fez a primeira substiruição, tirando Wellington Nem, que estava muito mal, para a entrada de Tomas.

No lance seguinte, tudo o que o Cruzeiro queria. Uma falta despretensiosa na entrada da área, bola cruzada e gol contra de Pratto.
Aí, o time de Mano Menezes deixou mais claro ainda porque é a melhor defesa do Brasil. O São Paulo seguiu tentando, de forma valente, mas efetivamente pouco perigo conseguiu levar ao gol de Rafael. E o segundo gol veio em outra bola parada com Hudson, que até outro dia estava no Morumbi. A partir daí, o São Paulo ficou mais próximo de tomar o terceiro gol do que de fazer ao menos um.

O Cruzeiro leva para Minas a classificação na bagagem. A chance desta bagagem extraviar é mínima.



  • Julio Cezar Carvalho

    Há muito tempo que eu falo que a queda do Fluminense em 2015, quando deixou de disputar o G4 e passou a tentar fugir do Z4, foi em função da volta do Cícero e não o que a mídia alardeava, que a culpa era por causa da chegada do Ronaldinho Gaúcho, que pouco jogou como titular, ao contrário do Cícero que, além de titular absoluto, quase não era substituído. Se o Rogério Ceni não perceber que o Cícero é problema e não solução, o São Paulo vai pagar tão caro quanto o Fluminense que, agora livre desta mala, joga um futebol que a gente gosta de ver, objetivo, vertical e rápido, impensável com o Cícero no time. Não se enganem com os golzinhos que ele faz de vez em quando, suas reais funções mesmo ele não cumpre.

  • Flávio Faria

    chora mais que tá pouco.

  • Flávio Faria

    agora seu fdp me explica como um time “faz pressão” com UM chute ao gol nos primeiros 45 minutos???

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