Carille segue fiel à sua proposta



Quando Eduardo Baptista, Rogério Ceni e Fábio Carille assumiram seus respectivos postos nesta temporada, ocupei este mesmo espaço para falar sobre uma “corrida involuntária” que eles disputariam entre si. A evolução de um naturalmente pressionaria os outros.

Os três chegaram com propostas muito claras e bem diferentes. Rogério Ceni surgiu com o discurso de que seu time seria ofensivo, jogaria o tempo todo no campo do adversário, pressionaria a saída de bola, sufocaria o rival.

Eduardo Baptista teria um duro trabalho para construir uma nova forma de jogar, diferente daquela vencedora utilizada por Cuca. Baptista apostava mais no jogo de posse de bola, mais paciente e menos vertical. Uma proposta corajosa de mexer no que deu tão certo há poucos meses.

Carille também deixou claro como seu time jogaria: seria apoiado num forte sistema defensivo, bem protegido. Posse de bola não estava nas prioridades. O jogo seria no erro do adversário, cirúrgico, mas o mais seguro possível. A torcida entendeu, afinal o time atual não chega perto daquele campeão brasileiro outro dia mesmo.

Passados os primeiros meses de bola rolando, apenas um dos três treinadores não mudou na prática o discurso teórico feito quando começou seu trabalho: trata-se do corintiano Fábio Carille.

Jogo a jogo, ele segue fiel à sua proposta: dar a bola ao adversário, apostar no erro do rival, manter seu sistema defensivo o mais seguro possível. Desta forma o Corinthians venceu um clássico contra o Palmeiras, empatou com o São Paulo fora de casa e também foi desse jeito que o time encaminhou bem sua classificação na Copa Sul-Americana, quarta-feira. Praticamente jogou dentro de seu campo no primeiro tempo contra a Universidad de Chile, mas terminou o jogo com um placar de 2 a 0.

Neste fim de semana, Carille possivelmente terá seu primeiro grande desafio na temporada. Como precisa da vitória no jogo das quartas do Paulistão, terá que fazer mais do que deixar a bola com o Botafogo de Ribeirão Preto. Será a hora de ver se tem outras armas no seu arsenal.

Eduardo Baptista aos poucos foi tirando o pé de sua proposta de mudar o jeito de jogar do Palmeiras. O jogo mais cadenciado e de troca de passes foi dando lugar a outro, mais vertical, mais direto, mais parecido com o de Cuca, embora não totalmente igual. E vem funcionando, pelo menos até aqui.

Chegamos ao São Paulo, que tinha a proposta de mudança mais radical e difícil de ser implementada entre os três. O que se viu quarta-feira na Argentina está muito longe do discurso do treinador. Foi um time que não conseguiu sair jogando, que abusou das bolas aéreas, muito do que Ceni não pretendia. Há explicação: gramado seco, muitos desfalques e a consciência de que é um mata-mata e não perder fora de casa pode ser mais importante do que tentar impor seu jogo.

De qualquer maneira, dos três novatos no comando dos clubes paulistas, apenas um ainda segue firme na proposta de jogo que idealizou no começo da temporada. Até porque era a proposta menos ousada das três.



  • MR JAMES

    Carrile novo Tite

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