O clássico esvaziado e o golpe da CBF



Ao todo, 6.776 pessoas estiveram presentes no Estádio Nilton Santos para assistir a Botafogo 2 x 3 Fluminense, com direito a uma virada incrível do Tricolor. Foram 6.225 pagantes e a renda foi de R$ 105.610,00.

Um dos maiores clássicos do futebol nacional com este público ridículo registrado aconteceu no mesmo dia e quase na mesma hora em que a Seleção Brasileira vencia de maneira brilhante o Uruguai, em Montevidéu, pelas eliminatórias da Copa do Mundo.

Horas antes disso tudo, na sede da CBF, cartolas davam um golpe sorrateiro no futebol brasileiro e aumentavam ainda mais o poder das federações estaduais na mesma medida em que diminuiam o poder dos clubes com um novo estatuto aprovado quase que secretamente.

As federações estaduais poderão aprovar com o peso de seus votos tudo o que elas quiserem com relação à organização do futebol brasileiro. Se todos os clubes da Série A e B se unirem, mesmo assim não terão votos suficientes para fazer oposição.

Houve protestos moderados. Modesto Roma, do Santos, falou em traição. Eduardo Bandeira de Mello, do Flamengo, disse que o ideal é que os clubes tivessem mais poder.

Os três assuntos dos três primeiros parágrafos deste texto estão relacionados. Um dos maiores clássicos do futebol brasileiro não pode acontecer para um público tão pequeno e ainda no mesmo dia em que a Seleção Brasileira entra em campo. O terceiro parágrafo explica por que isso acontece.

Enquanto no Uruguai a Seleção de Tite mostrou um futebol antenado com o que de mais moderno é praticado no mundo, aqui no Brasil seguimos com os métodos do século passado, com federações dando as cartas e, pior, ganhando ainda mais poder depois do golpe.

Recentemente escrevi um texto um tanto pessimista neste mesmo espaço. Falei sobre Atlético Paranaense e Coritiba terem se recusado a jogar um clássico por conta de problemas na venda dos direitos e TV, mas tratei o assunto como mais uma manifestação que teria fôlego curto, como o Bom Senso F.C., por exemplo.

Recebi uma mensagem educada do grande Paulo André, um dos atletas que mais lutam por mudanças no nosso futebol. Ele me disse que movimentos pequenos nos levarão adiante, mesmo que por ora pareçam inexpressivos. Me animei novamente.

Mas quando a CBF nos brinda com este golpe e os representantes dos clubes apenas protestam de maneira discreta e protocolar, eu volto a ficar pessimista.



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