Acharam um novo culpado: a religião



Pichações de protesto em muro de estádios, CTs e propriedades de clubes não podem ser classificadas de outra forma a não ser como vandalismo.

Mas é honesto reconhecer que algumas são muito interessantes e de alguma forma despertam certa curiosidade sobre o significado daquilo. Motivação política? Raiva adolescente? Vontade de virar notícia em jornais, TVs e internet? “Olha lá, minha pichação apareceu na TV!”

Particularmente uma faixa erguida em frente ao CT do Corinthians no ano passado é uma das melhores na minha opinião: “Diretoria = Jim Carrey”. O que o autor quis dizer? Que os cartolas eram atores como Jim Carrey? Que eram engraçados como algum personagem vivido pelo canadense? Na ocasião, um manifestante explicou:

“É uma diretoria de palhaços, tem até o Máskara”, falou. Muito original.

Segunda-feira mais uma vez “torcedores” entraram em ação e emporcalharam um muro de clube. Foi no Santos, um dia depois da derrota para o Palmeiras na Vila Belmiro, a segunda do time em um clássico em 2017.

Zeca foi um dos alvos específicos, brindado com a inscrição “Zeca joga bola”. Sempre algum atleta em particular é provocado nestas ocasiões. Mas uma outra pichação na Vila chamou atenção: “+ raça, – religião”.

O futebol profissional é um dos ambientes mais religiosos que se tem conhecimento no Brasil (provavelmente em boa parte do mundo também). Muitos atletas têm uma vida parecida com um conto de fadas. Saíram da miséria absoluta ou perto disso e tiveram enormes dificuldades na vida antes do sucesso. Ter o dom de jogar bola é entendido por boa parte deles como um presente de Deus. Jogadores fazem questão de agradecer a Ele tanto quanto podem.

Não deixa de ser curioso que torcedores ataquem a fé dos jogadores, como se a devoção a Deus pudesse atrapalhar o rendimento do time em campo. Como se treinassem menos para poderem orar, como se jogassem nas mãos de Deus o destino das partidas.

Neste aspecto, a pichação dos muros da Vila Belmiro quebra uma norma: até então, quem não rendia em campo era porque estava “rendendo” fora dele em noitadas ou fazendo corpo mole por atraso nos salários. Agora, a torcida entende que estão perdendo tempo com Deus.



  • Marcel Zanini

    Aí Tironi, religião se fosse realmente uma coisa boa existiria uma só RELIGIÂO para todos as nações e seres do planeta e todos estariam lá de livre e espontânea vontade, já na forma como está é “comércio de fé e medo” e uma forma de discriminação.

MaisRecentes

A obsessão pelo prêmio de melhor do mundo



Continue Lendo

Satisfeitos com pouco



Continue Lendo

Calma, Corinthians!



Continue Lendo