Dá para falar só de futebol com Bruno?



O goleiro Bruno foi apresentado oficialmente nesta quarta-feira no Boa, sediado em Varginha. A entrevista coletiva, obviamente, foi disputada como nunca uma entrevista no clube mineiro foi em sua história.

Em determinado momento, uma repórter perguntou sobre a repercussão negativa de sua contratação entre as mulheres. Acabou interrompida pelo presidente do clube, Rone Moraes.

“(A pergunta) Não é pertinente. Estamos aqui para falar de futebol”, disse o cartola.

É provável que nem mesmo o dirigente acredite no que falou. Repórteres do Brasil inteiro foram até Varginha por um único motivo: falar com o atleta profissional que foi condenado a 22 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver, mas que teve um habeas corpus concedido pelo STF (Superior Tribunal de Justiça) e foi solto depois de ter cumprido pouco mais de seis anos da pena.

Rone Soares por acaso esperava que os repórteres perguntassem sobre a rotina de treinos do goleiro? Sobre as chances do boa no Módulo 2 do Campeonato Mineiro (a segunda divisão)? Sobre a expectativa para a disputa da Série B do Brasileirão? Convenhamos…

A contratação de Bruno provavelmente foi o ato mais controverso de um clube de futebol brasileiro nos últimos anos. É correto dar chance de ressocialização ao atleta antes de ele cumprir a pena total (lembrando que o que ele conseguiu na Justiça foi o direito de recorrer da sentença em liberdade, um direito provisório)?

Por outro lado, é justo impedir que ele volte a exercer sua profissão?

Não é este o tema aqui, mas sim a ironia da direção do Boa. Seria impossível contratar Bruno sem que o assunto criminal entrasse no debate, afinal é tema que desperta interesse no país inteiro. Ao decretar que a pauta ali era futebol, Rone Soares presta um desserviço. Passa a impressão nefasta de que o que ocorre no esporte está desconectado da sociedade lá fora.

No dia 05 de novembro de 2016, o Boa venceu o Guarani por 3 a 0 e garantiu o título da Série C, o maior de sua história. O nome do autor do gol que abriu o placar para a vitória é Samudio. O presidente falaria sobre esta macabra coincidência? Afinal, estamos falando de futebol…



  • Henrique Cauã

    Fato é que ele não estava em um tribunal, qual o erro dele não querer comentar sobre o crime, você na situação iria querer? A imprensa foi cumprir o seu dever, é Fato, mas não vejo absurdo nenhum ele se ater ao esporte.

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