Quatro formas de enxergar Barcelona x PSG



Algo realmente espantoso aconteceu no Camp Nou, na noite de quarta-feira. Se este texto terminasse aqui, o leitor poderia tirar suas próprias conclusões.

Alguns exaltariam a vitória épica do time catalão. Precisava fazer quatro gols. Quando fez três tomou um e necessitou de mais três. E conseguiu! Foi como se o Barcelona tivesse morrido e ressuscitado não uma, mas duas vezes. Foi a vitória de quem quis jogar. Vitória da coragem. Não só o mundo do futebol, mas o esporte tem poucos registros de uma virada tão espetacular.

Alguns também olhariam para o PSG. Como um time que pode perder por quatro gols de diferença consegue ser eliminado? Como um time que não pode tomar três gols em um tempo muito pequeno permite que isso aconteça? Na história do futebol e também do esporte há poucos registros de um fracasso tão grande. O nome mais popular para isso é amarelada. Foi a derrota do medo. De quem não quis jogar.

Se esta coluna tem ao menos três leitores (possivelmente não), alguns deles considerariam o maior espanto a atuação de Neymar na parte final do jogo. Ele mesmo classificou como o melhor jogo da sua carreira e seu desempenho poderá significar enfim seu voo solo no clube catalão, longe da sombra de Messi. Quarta-feira, o torcedor passou a olhar para Neymar de outra forma.

Mas alguns outros leitores olhariam para um outro aspecto do jogo. O espantoso” para este leitor teria sido a atuação do árbitro Deniz Aytekin. O Barcelona necessitava de quatro gols (depois este número aumentou para seis). O apitador alemão contribuiu de forma decisiva com dois gols em dois pênaltis inexistentes. Quem tem boa vontade com o homem de preto, que estava de amarelo, dirá que o primeiro deles (sobre Neymar) existiu. O segundo, sobre Suarez, não há como defender a marcação. Especialistas no assunto como Salvio Spinola vão mais longe: os dois pênaltis para o Barcelona não existiram e um outro, para o PSG, existiu, o que torna a interferência ainda mais escandalosa.

Como a virada foi realmente épica, a tentação de deixar de lado a análise da arbitragem é enorme. Admitir que o que fez o juiz alemão em campo ajudou na montagem do placar e, consequentemente na classificação do Barcelona, é como perceber que algo mágico não foi tão mágico assim. É como encontrar uma linda atriz de TV sem maquiagem na fila da padaria. O brilho fica menor.

Para defender a beleza da virada, um argumento é curioso: o de que um time que toma seis gols não pode reclamar da arbitragem. Acontece que se este mesmo time tivesse levado cinco gols em vez de seis, teria avançado. E pelo menos um dos gols saiu de uma ilegalidade.

O futebol só é o que é por conta de eventos como o que aconteceu na noite de quarta-feira em Barcelona. Demolir o conceito de impossível com a força da palavra “superação” é a magia do esporte. O Barcelona fez isso, não há dúvida. Foi premiado por ter sido o único dos dois times em campo a querer jogar. Foi castigado o PSG, que só tentou especular. De qualquer maneira, a interferência da arbitragem não pode estar fora do debate.



  • Paulo Souto

    Lamentável.
    A atuação desse arbitro que dá dois penaltis para um time da casa completamente inexistentes , não marca um real para o adversário. e todos exaltam a atuação desse time. Com o arbitro a favor é fácil, sem ele perde até pro La Corunha,que só existiu na época de Bebeto. Essas duas faces do Barcelona (O Vasco da Espanha Eterno Vice) e a imprensa exalta esse time que a poucos anos sofreu duas humilhantes goleadas do Bayern de Munich.
    Não aguento mais essa imprensa baba ovo. o Barcelona é um dos três grandes da Espanha é só. Na Europa faz parte de um grupo de dez a doze grandes e só. Só gostaria de saber qual foi o por fora do citado arbitrro.

  • Ana Carolina Poirot

    Tironi, eu acho que essas 4 leituras podem se completar ao invés de se excluírem. Considerar a vitória do Barça uma façanha não necessariamente significa ignorar a péssima arbitragem do jogo.

    Não obstante o Sálvio tenha enfatizado que não daria os pênaltis, ele não deixou de ressaltar o quanto esses lances foram controversos e que não há uma posição unânime da arbitragem com relação as marcações. O debate, segundo ele, foi acirrado.

    Inicialmente, eu fiquei em dúvida se o lance do Suárez teria sido pênalti ou não. Somente depois do replay que eu cheguei à conclusão de que não, Tendo como referência o ponto de vista do juiz, acredito que o braço do jogador do PSG parecia ter provocado a queda do uruguaio. A meu ver, era um lance que o juiz de linha poderia ter interferido, como ele fez no primeiro pênalti (também bastante estranho e polêmico, de maneira alguma questiono isso).

    Tá, o Barça conseguiu gols com a ajuda do juiz. Ok, isso é inegável. As decisões dele tiveram repercutiram no resultado. Seria ótimo se isso não tivesse acontecido. Contudo, não dá pra fazer vista grossa ou amenizar a atuação fraca do PSG e as atitudes equivocadas de seus jogadores. Ou simplesmente descartá-las. Quem faz falta no goleiro adversário faltando alguns poucos minutos pra terminar o jogo?! Por qual razão o PSG atuou de forma tão apática na maior parte da partida?! E os 2 gols perdidos que poderiam ter decretado a classificação?! A desclassificação da equipe do Unai Emery não pode ser atribuída somente à atuação pífia do juiz alemão. O feito inacreditável do Barcelona também contou com a contribuição do PSG.

    Seu texto buscou sair da visão dicotômica entre aqueles que exaltam somente o milagre e aqueles que preferem olhar só para a performance do árbitro! Você forneceu um enquadramento amplo a partida e procurou articular os diferentes fatores. O mesmo pode-se dizer dos comentários proferidos pelo Calçade. No entanto, não dá pra não questionar o quanto a ênfase dada às penalidades tende a colaborar com a teoria da conspiração de que o Barça é o time queridinho da UEFA e só se classificou pelo motivo de o juiz ter roubado a seu favor. Posicionamento no mínimo simplista, tendencioso e um tanto parcial. Desmerece (e muito) a entrega, o empenho e comprometimento apresentado pelos jogadores do time catalão durante o jogo.

  • Jonathas Borges

    A grande questão é que revendo o lance do Suarez com muita calma, do angulo de onde o juiz está, e da distância, era perfeitamente possivel ter percebido o lance como penalti, pela velocidade do lance, além da mão do marquinhos dar a impressão que ele derruba o Suarez, em camera lenta e repetido a exaustão, fica parecendo um roubo mesmo, mas em velocidade real, a impressão é de que aexiste uma carga do marquinhos no Suarez. Foi um erro, mas não um roubo clamoroso como querem fazer parecer.

  • Almir Moura

    O texto é muito bom!

    As dimensões de análise mais evidentes, pontualmente, são estas mesmo.

    Gostaria, todavia, de levantar uma questão, no quesito arbitragem:

    Foram ao menos SETE lances polêmicos, envolvendo penalidade máxima.

    5 pró Barça, 2 pró PSG.

    Das do Barça, ao menos 3 lances em Neymar.

    1 falta cobrada na barreira por Messi, que resvalou na mão de Cavani. Involuntariamente, a meu ver.

    Além do lance crucial em Suarez.

    A questão que quero levantar é a seguinte:

    Se o juizão quisesse mesmo classificar o Barça, como virou chavão, por quê não deu os outros pênaltis?

    Reforço, a arbitragem foi de fato muito ruim, e foi crucial para a classificação do Barça, mas se até hoje, há quem discuta se foi ou não pênalti nos dois lances marcados, como ter tanta certeza assim que o lance agiu premeditadamente pró Barça, se deixou de marcar outros 3 lances parecidos?

    Outro ponto: ninguém cita o erro histórico de Di Maria, foi fominha, egoísta ao extremo, ao não rolar a bola para Cavani nos minutos finais do jogo, lance que certamente definiria o confronto, o uruguaio teria entrada com a bola e tudo.

    DI Maria foi um personagem e tanto, que praticamente ninguém citou ou cita.

    Abraços!

MaisRecentes

A obsessão pelo prêmio de melhor do mundo



Continue Lendo

Satisfeitos com pouco



Continue Lendo

Calma, Corinthians!



Continue Lendo