Não é o futebol que gera violência



Segunda-feira de carnaval a GloboNews colocou no ar à noite um documentário sobre os Bate-Bolas do Rio de Janeiro. Bate-Bolas ou Clóvis são foliões fantasiados com máscara, uma roupa que cobre todo o corpo e nas mãos uma bexiga, que ao ser atirada contra o chão faz barulho e assusta as pessoas.

Trata-se de uma tradição, uma manifestação cultural, assim como as Escolas de Samba, por exemplo. Lá no meio do documentário um trecho fala sobre a fama de violentos destes foliões, ou de alguns deles, ao menos. Surge a cena de uma reunião entre a PM e representantes dos Bate-Bolas, para que não haja violência no carnaval. Algo parecido com encontros entre PMs e torcidas organizadas de futebol.

Os Bate-Bolas fazem parte do carnaval brasileiro, bem como as torcidas organizadas fazem parte do futebol. A questão é que entre eles há figuras violentas infiltradas. Este é o ponto negligenciado pelo poder público. No caso do futebol, a solução para acabar com a violência não tem sido identificar, prender e punir os bandidos. Mas decretar torcida única, o fim dos instrumentos e das bandeiras dentro de estádios.

Sujeitos que gostam de violência precisam ser estudados. Trata-se de um comportamento que independe do futebol ou do carnaval. Em um trecho do documentário aparece um vídeo caseiro de um grupo de Bate-Bolas denominados “Gorilas”. Eles aparecem mascarados e armados, anunciando que vão matar pessoas durante a festa. Na reunião com a PM, outros representantes falam da violência de alguns grupos. E fica claro que a maioria está ali por razões históricas, de paixão por este personagem da cultura popular, algo que é passado de pai para filho.

Nas torcidas organizadas também é mais fácil encontrar pessoas que estão lá pela paixão a ela e ao time e não para cometer nenhum tipo de violência.

Se hoje fosse decretado o fim de qualquer torcida organizada (como se isso fosse possível, e o poder público já sabe que não é), os amantes da violência iriam procurar outro tipo de associação para seguir cometendo seus crimes. Assim como encontraram os Bate-Bolas.

Quem quiser ver o ótimo documentário, clique aqui



MaisRecentes

Esqueça o fair play



Continue Lendo

Corinthians já tem o diagnóstico, mas ainda não encontrou a cura



Continue Lendo

Brasileiro agora será disputa psicológica



Continue Lendo