Agora vai?



Domingo, Atlético Paranaense e Coritiba entraram em campo, mas a bola não rolou. Não houve acordo para a venda da partida para a TV e ficou decidido que o jogo seria transmitido no Youtube e nas mídias sociais oficiais dos dois clubes.

O problema foi que a Federação Paranaense de Futebol (FPF) impediu a realização da partida com uma alegação oficial de que os profissionais de imprensa que lá estavam não haviam feito o credenciamento. Uma forma tosca de impedir a realização do jogo com transmissão pela internet. Em comum acordo, Furacão e Coxa saíram de campo e não teve jogo.

O ato foi classificado como “heroico”. Seria o fim da submissão dos clubes às Federações, uma demonstração de força, o primeiro passo rumo a um futebol mais profissional, justo, etc, etc… Mas será mesmo que todo este ânimo se justifica? Será que o que aconteceu na Arena da Baixada terá fôlego para significar uma ruptura com o status quo?

Infelizmente, os movimentos que aconteceram no futebol brasileiro nos últimos anos indicam que a iniciativa dos dois grandes clubes paranaenses foi ótima. Mas daqui a pouco vai perder a força e tudo voltará a ser mais ou menos como antes.

O Bom Senso Futebol Clube surgiu como uma interessante e corajosa iniciativa de atletas e ex-atletas contra o sistema que domina o futebol. Protestos aconteceram nos estádios, o apoio foi imenso. Hoje, o grupo perdeu força, muitos jogadores se afastaram ou diminuíram suas ações e concretamente nada sobrou.

A Primeira Liga surgiu com o jeito e a esperança de ser o embrião de uma liga de clubes, com os próprios dando as cartas, sem a interferência da CBF. Ela esvaziaria os estaduais, que perderiam força e obrigariam as federações a recuar. Hoje, o campeonato é apenas mais um no entulhado calendário brasileiro. Time fundadores entram em campo com reservas. Não será surpresa se, em poucos anos, chegarem à conclusão de que não deve seguir, apesar das boas médias de público registradas.

Assim, fica mais difícil crer que dois clubes do Paraná, por mais relevantes que sejam, consigam de fato fazer a revolução necessária. Torço muito para estar errado e para que Bom Senso, Primeira Liga e a revolta do Atletiba sejam indícios de que a ruptura é inevitável.



  • Julio Cezar Carvalho

    Xará, concordo que ainda estamos num patamar muito abaixo do necessário para a modernização do futebol, mas algumas medidas isoladas, junto ao poder da redes sociais, vão minando as estruturas arcaicas no comando do futebol. Como eu coloquei no meu comentário, a ruptura está lenta, mas está acontecendo, algumas coisas estão mudando, o que não pode acontecer são jornalistas denegrirem as ações daqueles que estão tentando fazer alguma coisa, como o Tironi fez no seu texto.

  • Julio Mallet

    Caro Xará, não vejo como o futebol brasileiro melhorar, pois não vejo esse desejo de melhora nos principais interessados: os clubes. Só pensam em si mesmos, não conseguindo ter um mínimo olhar para o todo, sem se unirem e formarem uma liga, esses clubes sempre serão reféns da CBF, das Federações e da Globo, talvez essa forma semiamadora é o que os dirigentes querem para continuarem a se locupletar às custas das agremiações que dirigem. Tenho um filho de menos de dois anos, temo que ele nunca chegue a torcer para um time local, que só tenha olhos para os times europeus, dado ao amadorismo persistente e conveniente (a eles) em nossas terras.

  • Julio Cezar Carvalho

    Vai me desculpar Tironi, mas, se depender de jornalistas com os mesmos pensamentos retrógrados como o seu, com certeza o futebol jamais mudará mesmo.
    Não se muda uma estrutura de uma hora pra outra, estes movimentos do Bom Senso e da Primeira Liga vêm abrindo os olhos para as mazelas do futebol, se você olhar atentamente, a CBF, apesar de ainda truculenta e atrasada, já mudou muito, o PROFUT que vai alterar muita coisa dentro do futebol, teve participação significativa do Bom Senso.
    Quanto à Primeira Liga, mesmo aos trancos e barrancos, tem hoje a segunda maior média de público entre todos os torneios brasileiros, atrás apenas do Paulista, e de quebra, ainda é a pior dor de cabeça para os presidentes das Federações e os dirigentes da CBF.
    Todos os movimentos tendem a perder força com o tempo, mas o importante é o que eles deixam para a posteridade, isto desde a época do Brasil Império com a importantíssima Inconfidência Mineira, que não libertou o país do jugo português, mas abriu os olhos do povo para a situação.
    Os presidentes das Federações e os dirigentes da CBF encarecidamente lhe agradecem por tentar denegrir movimentos tão importantes.
    E viva a dupla Atlético e Coritiba, seus atos não serão em vão, é mais uma pedra na pavimentação de um caminho longo a percorrer.
    Saudações Tricolores Carioca!

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