Corrida de técnicos



Há uma corrida em curso no futebol paulista. Não se trata de uma competição aberta, mas ela está acontecendo mesmo sem os participantes perceberem claramente. Trata-se da disputa entre três treinadores novatos para ver quem primeiro consegue dar uma cara de time aos seus respectivos grupos.

O prêmio a quem liderar esta prova é a paciência da torcida, o apoio da diretoria e, consequentemente, tranquilidade para seguir e evoluir com o trabalho. A punição para quem ficar para trás é o inverso de tudo isso. A corrida se dará justamente na comparação entre os trabalhos, o quanto um caminha enquanto outro patina.

O trio de ferro fez apostas interessantes e arriscadas para esta temporada. Investiu em treinadores novos, que agora estão buscando seu espaço no mercado em detrimento dos mesmos medalhões de sempre. Cada escolha teve suas particularidades. O São Paulo apostou em seu maior ídolo, o Corinthians no auxiliar do maior técnico da história do clube e o Palmeiras em uma promissora figura da nova geração.

Ainda é absurdamente cedo para tirar qualquer conclusão definitiva sobre o trabalho de cada um dos três. Mas o relógio do torcedor funciona de forma diferente e apressada. Os resultados são exigidos para ontem, ainda mais se no vizinho a evolução aparentar ser mais rápida.

A primeira rodada do Campeonato Paulista colocou uma certa dose de pressão sobre Rogério Ceni. Seu time foi goleado, enquanto o Corinthians de Carille e o Palmeiras de Eduardo Baptista venceram, mesmo sem um grande futebol. A rodada seguinte já mudou o panorama. Foi quando Corinthians e Palmeiras perderam e o Tricolor fez uma grande partida na goleada contra a Ponte Preta.

A ótima vitória do São Paulo no clássico contra o Santos na Vila Belmiro quarta-feira deixa o ex-goleiro alguns corpos de vantagem sobre os rivais. Embora, repito, seja muito cedo para qualquer avaliação mais sólida, será inevitável comparar o estágio de evolução dos comandados de Ceni com os de Fabio Carille, que venceu o Novorizontino também na quarta-feira, mas com um futebol menos vistoso e um time que ainda tem muito a evoluir.

A expectativa sobre o trabalho de Eduardo Baptista tem um componente a mais, que pode deixá-lo em certa desvantagem nesta “corrida”. Com o elenco que o Verdão montou, nada menos do que um título muito importante será exigido. Não importa o fato de que ele acabou de chegar. Na vitória contra o São Bernardo, parte da torcida exigia o mesmo jogo do fim do ano passado com Cuca, o que é no mínimo absurdo. Estamos apenas em fevereiro. É como se o Palmeiras fosse um carro de fórmula 1 com as melhores peças jamais construídas e que só necessita de um piloto para chegar ao pódio. O futebol não é tão simples assim.



MaisRecentes

A torcida que salvou um time salvará de novo em 2018?



Continue Lendo

A lição de Carille e o que vem por aí



Continue Lendo

Em onze dias, o Brasileiro mudou



Continue Lendo