Sobre o caso Drogba



O fracasso na tentativa do Corinthians de contratar Drogba tinha tamanho suficiente para provocar repercussão, servir como combustível para rivais e, de alguma forma, prejudicar a imagem da instituição.

O risco de uma negociação dar errado sempre existe. Desde quando trocamos figurinhas na infância com os coleguinhas sabemos disso. No caso do futebol o risco de uma grande negociação naufragar também existe. E além disso deixa sequelas. Exatamente aquelas que o Corinthians apresenta agora que o negócio melou.

Todo o processo que envolveu a contratação de Drogba serviu, no final das contas para: 1) escancarar a fragilidade do comando do futebol no clube, ultrapassado pelo departamento de marketing que levou à frente a negociação, mesmo contra a vontade de alguns cartolas; 2) mostrar como no clube hoje nem todos falam a mesma língua; 3) revelar como foi desastrada a tentativa de transformar uma notícia ruim em algo positivo, com a divulgação de uma nota constrangedora em que o astro teria agradecido ao clube, recusado a proposta, mas prometido se transformar em mais um do “bando de loucos”.

Desesperados contra a chacota dos rivais, que dominou as mídias sociais (este boteco do século 21), corintianos se agarraram ao fato de que em nenhum momento a diretoria anunciou o jogador, diferentemente do que fez o então presidente do Galo Alexandre Kalil, na frustrada contratação de Anelka. Portanto, os casos seriam totalmente diferentes. Sobrou até para a imprensa, acusada de ter anunciado o jogador antes mesmo de qualquer desfecho da negociação. Curioso como a “mídia” perde o rosto, o nome e o sobrenome quando se faz este tipo de “acusação”. Mas este pode ser tema para outra coluna.

O ponto aqui é tentar mostrar qual esforço de divulgação foi feito pela diretoria corintiana quando o assunto ganhou as manchetes. Foram algumas entrevistas de cartolas com detalhes sobre o tema, revelação das exigências do jogador prontamente atendidas pelo clube chegando ao ponto máximo de vir a público a própria proposta em papel timbrado.

Como a torcida se empolgou com a chance de cantar a música do Raça Negra no estádio e esqueceu por uns dias os problemas do clube, é evidente que os cartolas surfaram numa onda, mesmo que não tenham criado este movimento. Mas se aproveitaram dele . Foram semanas em que este foi o assunto dominante e, neste aspecto, o que se esperava da imprensa senão noticiar o que seria a evolução do negócio?

O fim da história você leitor já sabe. Drogba não veio, não virá e o Corinthians vai ter de se virar sem ele e o torcedor (na melhor das hipóteses muito confiante o tempo todo e na pior, iludido) terá de conviver com as gozações dos rivais. Alguma dúvida de que a cada derrota ou a cada gol perdido por algum atacante o nome de Drogba aparecerá?

O pior de tudo é que a não chegada do marfinense poderia ser uma boa notícia. Marketing à parte, ninguém tem muita ideia de como ele estaria fisicamente e tecnicamente. Ao mesmo tempo o tamanho do seu nome impediria que ele ficasse no banco. Por outro lado, o time está acertando a volta de Jadson que provavelmente será muito mais importante para o time.

Há boa notícia nisso tudo. Mas o Corinthians não soube como divulgá-la.



  • J.H

    Isso vale também para o Hernanes. O SPFC, quer de graça, com salários bancados pelo time italiano. Só que lá pelos lados do Morumbi, isso é tratado com muito menos sarcasmo. Isso é evidente.

  • Django

    A diretoria do Corinthians é mais lerda do que uma lesma com dengue e diarréia subindo o Everest.
    O Drogba não vem e até o Tironi está tirando uma com o meu Timão.
    Obrigado Tironi.

    Estou deixando registrado aqui que não vou mais comprar um Lamborguini Veneno, pois está muito caro e a loja não quis me fazer em 8000 parcelas sem juros, ainda me chamaram de pobretão.
    Obrigado loja da Lamborghini.

    E também aviso que não vou mais pegar a Nicole Kidman nem a Charlize Theron, pois elas não quiseram sair comigo e ainda me esnobaram.
    Obrigado Nicole Kidman. Obrigado Charlize Theron.

  • J.H

    Pelo menos de uma coisa o Corinthiano pode se orgulhar. Quando especulações saíram sobre a vinda do Ronaldo, as gozações e “sequelas” vieram antes por parte da mídia, com cara e tudo. A ponto de uma revista famosa com a manchete “Ataque de riso” (é só digitar no google imagens com a palavra placar), ser recolhida as pressas no dia seguinte das bancas, com a matéria nas páginas internas “Piada fenomenal .E o texto: Ronaldo no Timão? Ele não vem mas você pode se divertir com isso.” Então desta vez a mídia “com e sem cara” como cachorro mordido por cobra tem medo de linguiça, deixou para panfletar depois do insucesso. E sabem porque ela agiu dessa forma agora, diferente da primeira? Acho que nem é preciso desenhar! Abraços.

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