O recado é: simular falta funciona!



O Botafogo eliminou o Mirassol da Copinha no sábado em um jogo muito polêmico. O placar de 2 a 1 foi contestado por jogadores, técnico e dirigentes do time do interior paulista. No primeiro gol do Glorioso houve impedimento não marcado; o segundo foi resultado de um pênalti que não existiu.

Este foi um dos muitos erros vistos na Copinha, numa proporção aparentemente parecida com a que acontece nos campeonatos principais no Brasil. Não é o caso aqui de criticar a classificação do Botafogo. Afinal, como a arbitragem no Brasil é essencialmente ruim, virando a esquina o próprio Fogão poderá ser prejudicado.

A questão aqui é tentar entender a influência que uma arbitragem desastrosa terá na cabeça de jogadores que ainda estão em formação, como são estes que disputam a Copa São Paulo.

Na melhor das hipóteses, o lance que originou o segundo gol do Botafogo foi uma falta fora da área. Mas ainda assim é necessária muita boa vontade. A verdade é que não foi falta e, ainda que fosse, não seria pênalti. O jovem Lucas Gomes claramente se jogou ao perceber o bote do adversário. O árbitro caiu na sua simulação, marcou o pênalti, Igor Cássio bateu e fez.

Ao fim da partida, o autor do gol reafirmou que foi pênalti, sim, mas que o mais importante foi que o time avançou no campeonato.

Parece claro o recado oculto que jogadores em formação recebem quando um pênalti que não houve é marcado e isso resulta em um gol que desemboca numa classificação: simular vale a pena.

Isso é desastroso para o futebol. Se desde as categorias de base nossos jogadores aprendem e têm exemplos de que a malandragem é normal e ainda rende frutos, é compreensível que estas práticas sejam repetidas nas categorias principais. O fim desta história é resumir sempre tudo o que acontece em uma partida ao papel do árbitro, deixando de lado todo o restante: a tática, a habilidade dos jogadores. É o empobrecimento do debate e da análise, dando a impressão de que um jogo de futebol se resume a isso, quando é muito mais.

Desde a base deveria haver um trabalho de conscientização contra a malandragem. Mas isso não será o suficiente se as arbitragens ruins passarem um recado, involuntário, de que simular vale a pena.



  • Paulo Fernando Tavares

    Porque você não dedicou um comentário ao jogo entre os queridinhos da mídia vendida do Brasil: Fla-press x Corinthians? Nesse mesmo jogo tivemos um penalti VERGONHOSO contra o Fla-press que não foi marcado. Sequer comentado em muitos diários de esportes. Quanto às jogadas mencionadas por você, sugiro que veja novamente o jogo e verifique que em ambas jogadas sequer os narradores do Sportv consideraram categoricamente como você (talvez no conforto do sofá, com lupas de replay), e deixaram ares de dúvida. Muito fácil apitar assim e emitir o pós-julgamento. Nos poupem desses “velhos” hábitos da imprensa midiática. Quer continuar a fazer isso, vá para a rádio, onde se canta a jogada onde a fala vem muito depois da vista. No mais concordo que essa garotada da BASE precisa (desculpe-me a redundância) de base moral, base comportamental, base de caráter para, somada a boa técnica, se façam futuros bons profissionais da bola.

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