Eles querem ter a posse de bola



De novo a expectativa pela temporada que vai começar no futebol brasileiro. E de novo um otimismo por algo que está no ar, tem sido falado por alguns e, se de fato acontecer, será muito interessante.

Falo de posse de bola. Aquilo que foi desprezado pelo Brasil nos últimos bons longos anos, mas que voltou a aparecer no vocabulário de treinadores e analistas, sobretudo depois de Pep Guardiola promover a mais recente revolução neste esporte dos últimos anos com o seu mágico Barcelona.

Alguns dos jovens técnicos que estarão à frente de grandes clubes brasileiros têm ressaltado o controle da bola como ponto principal do tipo de jogo que pretendem implementar. Outros treinadores não tão jovens de idade, mas de conceitos sim, também caminham nesta linha.

O último a deixar claro isso o foi o corintiano Fabio Carille, quarta-feira, em sua entrevista coletiva, que teve quase uma cara de apresentação oficial, já que no dia em que foi apresentado de fato quem mais falou foi o cartola Flavio Adauto.

Mas quarta-feira, perguntado sobre como ele pretende que seu time jogue, Carille não falou com meias palavras: – Quero um time que tenha posse de bola.

Rogério Ceni também deseja que o seu São Paulo tenha a redonda. Para isso, aposta na marcação forte para recuperar a bola ainda no campo de ataque sempre que possível. Na mesma direção caminha Roger Machado, novo treinador do Galo que já tinha mostrado no Grêmio como a troca de passes é do seu agrado.

Os anos incríveis de Pep Guardiola no Barcelona deram ao mundo a impressão de que ter a bola sob seu domínio é sinônimo de vitórias, títulos e de que o adversário será sempre subjugado. Não é bem assim. O Real Madrid de Ancelotti não jogava com a posse da bola e foi campeão da Champions League. O Leicester campeão inglês da última temporada teve média de 44,8% de posse em média. José Mourinho sempre desprezou a redonda e fez times campeões assim.

Puxando a conversa para o Brasil, o Botafogo teve a arrancada que o levou à Libertadores quando Jair Ventura assumiu o comando do time. Antes disso, Ricardo Gomes priorizava o controle. Jair não fez disso um mantra, a bola foi para os adversários e o time cresceu. Não explica todo o sucesso, mas indica que posse não é sinônimo de vitórias.

O Palmeiras é outro bom exemplo. Foi apenas o 11o time com mais bola no pé. Acabou faturando o Brasileirão com uma segurança e números indiscutíveis.

Em 2017, esta característica do Palmeiras vai mudar. Eduardo Baptista foi outro treinador que já falou que pretende ter a posse de bola como pilar do seu jogo.

O Flamengo fez disso já em 2016 o seu estilo. Foi o terceiro time com mais bola no pé em 2016 e nada indica que a estratégia vai mudar pelas entrevistas que Zé Ricardo deu neste começo de ano.

O líder do Brasileirão do ano passado neste quesito foi o Santos de Dorival Júnior, que acabou vice-campeão. O time da Baixada soube também variar seu estilo. Na final do Paulista, contra o Audax, que faz do controle quase uma obsessão, a estratégia foi deixar a bola com o rival. Acabou campeão.

Se o discurso dos professores neste começo de 2017 virar verdade, este poderá ser um ano em que a disputa pela bola dará o tom. Jogos interessantes estarão presentes, portanto.



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