‘Quando quer, ele joga bem’



Numa grande empresa há uma vaga aberta para um cargo importante. O responsável por aquela área vai até o seu superior dizendo que achou o sujeito para aquela função.

– Esqueça a passagem do Miguel pela empresa XYZ recentemente. Ali ele não curtia o ambiente e acabou indo mal, não criando nada muito bom, não aperfeiçoando a equipe. Eu sei que várias vezes ele foi flagrado lá jogando paciência no computador na hora do expediente, mas acredite em mim: quando quer, ele trabalha muito bem. É só ver as coisas boas que ele fez quando estava naquela outra empresa antes da XYZ. Não é qualquer um que recebe proposta para trabalhar no exterior, você sabe. Tudo o que ele precisa agora é um estímulo para voltar a ser aquele funcionário competente e criativo que a gente conhece.

Não seria uma tarefa simples convencer um responsável por uma área de uma grande empresa a contratar um funcionário que “quando quer, trabalha muito bem.” Imagine um piloto de avião ou um médico que trabalha bem apenas quando quer, mas quando não está motivado faz ali o seu serviço burocraticamente ou nem isso.

No futebol o discurso do profissionalismo é cada vez mais presente, mas ainda há espaço para situações que em outras áreas seria ao menos controversa. Esta é uma delas: cansamos de ver jogadores sendo contratados porque “quando quer, rende bem”.

Michel Bastos é o exemplo mais recente disso. A última impressão que deixou no São Paulo foi a pior possível. Descompromissado, foi perdendo espaço no time e ganhando a antipatia da torcida. O limite foi quando foi chamado por Marco Aurélio Cunha (uma das figuras do futebol que mais têm habilidade para lidar com jogadores) para uma conversa definitiva. Nem isso adiantou. Terminou o ano sem ser nem sequer relacionado, mesmo com o time beirando a zona do rebaixamento.

Como “prêmio”, ele ganha um contrato de dois anos com o Palmeiras, um dos times mais fortes e promissores do momento. Numa situação normal, apostar no fracasso e acertar seria o mais provável. No futebol, este mundo muito particular, ele pode provar que “quando quer, faz a diferença”.



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