Uma fotografia do Corinthians



Três homens sentados à mesa, uma dezena de microfones apontados estrategicamente para um deles, um batalhão de repórteres em frente, esperando o momento para começar a fazer perguntas.

Um dos homens à mesa respondeu aos questionamentos da imprensa por longos 35 minutos. O outro, que era o motivo principal por aquela convocação, falou por 13 minutos. O que falou menos foi Fabio Carille, anunciado como o novo técnico do Corinthians. O que falou mais foi Flavio Adauto, diretor de futebol. O terceiro homem era Alessandro, gerente de futebol, que permaneceu calado.

Talvez não existam palavras, frases, textos ou imagem que representem de maneira tão fiel o Corinthians atual e o que poderá ser o seu futuro recente. No dia da apresentação do “novo” treinador, as baterias todas estavam voltadas para o dirigente. Se a preocupação principal dos cartolas era, como sempre é, ter no comando técnico um escudo, provavelmente vai dar errado. A não ser que os resultados cheguem muito rapidamente.

É justo ressaltar: Carille é um nome interessante. Um sujeito que conhece bem o clube, trabalhou muito perto de Tite durante anos e foi quem teve um dos melhores desempenhos no comando após a saída do treinador mais importante da história do clube. O problema é a circunstância em que ele surge, depois de sondagens fracassadas a vários outros candidatos e depois de ele mesmo ter sido substituído por Osvaldo de Oliveira recentemente. A pergunta que fica na cabeça do torcedor corintiano é: se Osvaldo não foi capaz de servir de escudo para o presidente Roberto de Andrade, como alguém de muito menor tamanho?

Suas qualidades precisam ainda ser colocadas à prova em um cenário mais competitivo do que qualquer coisa que ele tenha vivido em sua carreira: dirigir o time principal do Corinthians. Mas entre uma aposta no desconhecido e outra no conhecido com boas chances de fracasso, o natural seria aposta na primeira. O problema é que além da crise política há a crise financeira que impede grandes investimentos. E por isso ele já tem uma primeira missão: promover os garotos da base, que ele conhece tão bem. Claro que neste discurso não está sendo levado em conta que a base corintiana é um dos grande problemas do clube, com direitos de jogadores fatiados entre empresários, etc. Não é um ambiente simples de se trabalhar.

O novo treinador também chega com uma primeira meta: o campeonato Paulista. Hoje, é mais provável que o Corinthians não vença o torneio. Será justo fazer uma avaliação tão precipitada do trabalho de Carille?

Assim que a bola começar a rolar, Carille terá mais chance de falar, diferentemente do que aconteceu nesta quinta-feira. A diretoria (e todo corintiano) torce para que ele fale de vitórias. Se eles não vierem, os microfones voltarão a ser apontados para a cartolagem, que demonstrou em suas atitudes preferir preservar a própria pele nem que precise sacrificar técnicos. No fim das contas, como sempre, tudo está na mão do próprio Carille.



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