‘Se estava lá no meio, santo não é!’



Quantas vezes você já ouviu a frase que forma o título desta coluna quando alguém apanha da polícia em brigas de torcida ou quando vai preso mesmo sem provas definitivas de seu envolvimento em confusão?

A questão da violência das organizadas chegou a tal ponto que bandidos e inocentes têm sido frequentemente colocados num mesmo balaio. Neste momento, 31 sujeitos estão presos em Bangu 1, no Rio de Janeiro, acusados de participação na briga que aconteceu no Maracanã entre corintianos e a PM do Estado no domingo. Pipocam relatos de pessoas que estão encarceradas, mas que não teriam nenhuma relação com a confusão. Apenas foram assistir a um jogo de futebol.

Para deixar claro: ainda não é possível dizer quem é culpado e quem é inocente e a polícia do Rio de Janeiro está investigando o caso. Mas é inegável que existe risco de alguém estar preso injustamente, sujeito a todo tipo de barbaridade. Lembremos que são paulistas dentro de uma carceragem carioca em um momento de guerra entre PCC e CV, as duas mais famosas e violentas facções criminosas do país, cada uma com base em um dos Estados.

A sociedade cobra mais rigor contra os bandidos que se infiltraram e tentam transformar torcidas organizadas em gangues que promovem o terror sobretudo nas grandes cidades do país. E este é um caminho que não pode ter volta. Mas é necessário medir os efeitos colaterais destas ações. Não se justifica a prisão de inocentes, como não se justifica impedir venda de cerveja nos estádios ou proibir torcedor de carregar bandeiras. O que vem acontecendo é que, para alvejar culpados, muitos que nada têm a ver com isso estão pagando. E isso pode estar acontecendo novamente na prisão dos 31 em Bangu.

Estamos chegando a uma situação em que um sujeito é “punido” apenas por estar ocupando um local que bandidos agem. É como dizer que todo morador de comunidade é ladrão apenas por morar na favela.

Anderson Teles é o nome do policial que foi covardemente agredido por “torcedores” corintianos no Maracanã. 42 anos, casado e evangélico, ouviu da sua mulher assim que saiu de casa para trabalhar no domingo: -Toma cuidado e fica com Deus.

Voltou para casa só no dia seguinte, depois de participar do processo de identificação dos torcedores presos. Foi recebido com uma salva de palmas pelos vizinhos.

-Só cumpri o meu dever. A ironia é que eu estava destacado para fazer a proteção do time visitante.Mas aqueles homens não eram torcedores, eram animais. Queriam atacar uma área do Flamengo repleta de famílias com mulheres e crianças.”

Anderson é membro do GEPE (Grupo Especial de Policiamento em Estádios). Você já viu cenas de policiais em ação batendo em torcedores sem nenhuma razão. Não deve ser o caso de Anderson, que parece honrar a farda que usa. Diante de tantas barbaridades que alguns policiais cometem, imagine como seria injusto ouvir alguém falar o seguinte sobre Anderson: -Se é PM, santo não é!



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