O que será do Maracanã?



Quinta-feira a diretoria do Fluminense anunciou o local onde poderá ser construído o futuro estádio do clube. Os passos ainda são tímidos, não há nenhuma garantia de que o sonho se tornará realidade. Mas enfim, o primeiro movimento foi dado.

Em sua edição de quint-feira, o jornal “Folha de S.Paulo” publicou reportagem revelando que o Governo do Rio de Janeiro não recebeu nenhuma parcela do consórcio que administra o Maracanã pelo uso do estádio. Pelo acordo firmado em 2013, o grupo formado por Odebrecht (95%) e AEG (5%) deveria pagar em janeiro ao Estado taxa de outorga de R$ 5,5 milhões. Seria a primeira de 33 cotas anuais. O consórcio que administra o estádio se recusa a pagar alegando que o projeto inicial de reforma do Maracanã foi alterado.

O anúncio da existência de um terreno para um futuro estádio feito pelo Fluminense pode ser uma jogada política. Lembremos que o clube terá eleição presidencial no fim do ano. Mas vamos que futuramente as coisas caminhem e o clube tenha, enfim, sua casa própria. E vamos que o Botafogo continue utilizando o Engenhão (neste momento, a discussão é sobre a possibilidade de rompimento do contrato com a prefeitura nos moldes atuais) O Vasco segue em São Januário e de lá não sairá. O Flamengo tenta mudar os termos do acordo que tem com o Maracanã atualmente.

Fato é que o governo do Estado do Rio de Janeiro está desesperado para entregar o Maracanã para alguém e planeja nova licitação. Fluminense e Flamengo manifestaram algum interesse. Já a CBF já deixou claro que não quer.

Diante deste quadro fica o receio: será que chegaremos ao ponto de olhar o Maracanã e ali enxergar um enorme mico? Os organizadores dos jogos olímpicos entregarão as chaves do estádio de volta ao governo do Estado nos próximos dias e, a partir daí, ninguém tem muita ideia do que será o futuro do estádio. Por enquanto a expectativa é enorme, uma vez que o Flamengo luta pelo título brasileiro e quer voltar à “sua” casa o mais rapidamente possível. Mas e a partir do ano que vem?

No longínquo 30 de outubro de 2007, o então presidente da Fifa, Joseph Blatter, anunciou que a Copa de 2014 seria no Brasil. Havia um mar de incertezas sobre como seria o período pré, durante e pós competição. E ali não estava o destino do Maracanã. Haveria uma reforma, mas nunca foi possível imaginar que o maior palco do futebol brasileiro e mundial pudesse ser mais um estorvo do que uma solução.

Depois, quando foram anunciadas as sedes, algumas certezas surgiram e foram confirmadas. A maior delas, a de que alguns estádios se transformariam em elefantes brancos, caso da Arena Pantanal, por exemplo. Nunca se imaginou que isso pudesse acontecer com o Maracanã. Este ainda não está próximo de ser o destino do estádio, palco das finais das Copas de 1950 e 2014. Ainda assim, ele pode vir a ser um local muito menos utilizado do que as previsões mais pessimistas poderiam adiantar.



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