Sobre a final da Libertadores em jogo único



Copiar estética e formato é o suficiente. Pensando mais ou menos desta forma as confederações de futebol da América do Sul têm tomado medidas a tornar os seus jogos e torneios mais atraentes. Uma tentativa um pouco tosca de imitar o nível de excelência de organização visto na Europa.

Contrariando algo enraizado na cultura futebolística nacional, por exemplo, a CBF decretou que os times devem entrar em campo ao mesmo tempo, lado a lado, junto também dos juízes. A entrada em campo era um dos momentos mais interessantes de um espetáculo no Brasil. As torcidas faziam a festa enquanto os jogadores pisavam no gramado. Um barulho ensurdecedor, um colorido incrível e lindo (menos em São Paulo, onde nem bandeira pode entrar nos estádios, claro). Isso já não existe mais: cheios ou vazios, os estádios agora recebem os dois times meio sérios entrando em campo juntos, andando como se estivessem numa fila de colégio, seguindo o professor durão (no caso, o árbitro).

A novidade do dia de ontem foi a mudança no regulamento da Libertadores. Agora ela vai durar o ano todo e não apenas um semestre como foi historicamente. Esta mudança até me parece interessante: o campeonato mais importante do continente vai se estender por toda a temporada. Mas junto a isso veio outra decisão: a final do campeonato será em jogo único em palco pré-estabelecido. Assim funcionam os torneios europeus interclubes.

A realidade de um e outro continente é absolutamente distinta em vários aspectos: poder financeiro das populações, acesso a transporte e distâncias. Neste sentido, tudo na América é diferente da Europa. Por aqui, as distâncias muitas vezes são grandes, o transporte muitas vezes restrito.

Não há nenhum problema em uma final de Liga dos Campeões entre um time inglês e outro espanhol disputada na Alemanha. As distâncias são pequenas, o transporte é simples. Os torcedores se deslocam com grande facilidade.

Imagine agora uma final de Libertadores disputada em Porto Alegre entre um time mexicano e outro colombiano. O deslocamento de torcedores seria caríssimo (para torcidas de poder aquisitivo menor do que as europeias) e logisticamente complicado. Uma verdadeira via-crúcis para 90 minutos de bola rolando.

Melhorar o empacotamento dos torneios sul-americanos é mais do que um desejo, uma necessidade. Mas o ideal seria fazer isso preservando a cultura local e levando em conta realidade bem diferente daquela que se encontra na Europa.



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