Um pouquinho de Brasil



Momentos após a dupla brasileira Martine Grael e Kahena Kunze conquistar mais uma medalha de ouro para o país, a geradora das imagens mostrou a torcida que acompanhava a prova nas areias. No meio da turma que comemorava com bandeiras verde e amarelas surgiu uma senhorinha de óculos gritando. – Aqui é Brasil, c…#@/#%!!

Poderia ser a dona da lojinha da esquina da sua casa, a sua professora do primário, a dona de casa dedicada… a figura se encaixaria em vários perfis, mas ali ela era uma brasileira orgulhosa do que tinha acabado de ver. E não mentiu: o sucesso na vela é um pedacinho do Brasil, como as outras todas medalhas conquistadas.

A senhora empolgada tem uma noção mais completa do que é o Brasil. Sabe dos nossos orgulhos e provavelmente convive todos os dias com as nossas mazelas.

Outras pessoas não têm esta visão total e entendem que aqui só existe a parte do vale-tudo, que nós brasileiros conhecemos tão bem.

Ryan Lochte e a turma que tocou o terror na madrugada carioca são um bom exemplo disso. Saíram de uma festa, depredaram o banheiro de um posto de gasolina e devem ter pensado o seguinte: – Aqui é o Brasil, c…#@/#%!!.

Quando a coisa começou a dar errado na noitada eles resolveram inventar uma história, porque afinal “neste fim de mundo pode tudo”. Estatisticamente ele pode até ter razão, afinal o Brasil não resolve nem 10% dos seus crimes. A chance de uma lorota qualquer acabar em nada era grande. Mas a turma deu azar. A polícia investigou e achou a
verdade. Um mico maior do que as águas verdes do Maria Lenk, para ficar em uma comparação com nossos problemas de organização.

Cada vez que o Brasil sobe ao pódio a felicidade meio raivosa da senhorinha da areia nasce dentro de cada cidadão. Acostumado a ver muita coisa errada, ele vê na a bolacha dourada, prateada ou bronzeada uma prova clara do que somos capazes. Nesses momentos ele esquece que o país é um dos mais violentos do mundo, que os crimes não são resolvidos na maioria das vezes. E não há nada de errado em se permitir um pouco de alegria, muito pelo contrário.

Antes de embarcarem para o Brasil, os nadadores americanos devem ter aprendido que aqui é um local violento na mesma medida que as festas são as mais animadas possíveis. Devem ter sido orientados a não andarem por aí desprotegidos. Mas decidiram arriscar apostando na imagem de permissividade que temos ao redor do mundo. Quebraram a cara porque fizeram o que fizeram durante as duas semanas em que há um esforço maior para mostrar ao mundo um outra parte do país que também existe, embora fique escondida debaixo da lama a maior parte do tempo.

No dia 6 de agosto o planeta viu uma festa de abertura linda e com o jeito caloroso do brasileiro. Depois viu uma torcida a maioria das vezes apaixonada e irreverente, outras passando dos limites (como no caso de Renaud Lavillenie do salto com vara). Viu piscina com água verde, mas também quebra de recordes e uma cidade linda como
pouquíssimas.

O Brasil é tudo isso. O conhecimento que os nadadores trouxeram do país claramente era apenas uma parte do todo. Afinal, “aqui é Brasil, c…#@/#%!! Para o bem e para o mal, ele não é para qualquer um.



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