A vitória de Messi



Já reparou que todo super-herói tem suas fraquezas e dramas, como se fosse um ser humano qualquer? Bruce Wayne, o Batman, é atormentado pelo assassinato de seus pais. Matthew Murdock, o Demolidor, vive um eterno conflito entre ser católico e sua sede de vingança… Os exemplos são vários. Mas fato é que parte do fascínio que estes personagens despertam é por eles terem falhas, como eu, você e todo mundo.

Messi era uma máquina de fazer golaços, bater recordes e ganhar campeonatos pelo Barcelona. Ele sentia as vitórias de maneira discreta e as (poucas) derrotas de forma quase que indiferente. A falta de títulos pela seleção argentina sempre foi um obstáculo instransponível, até para este atleta que parece dotado de superpoderes. Mas isso sempre foi sentido aparentemente de maneira discreta por Lionel.

O chute para fora na cobrança de pênaltis na final da Copa América e tudo o que aconteceu depois mudaram a visão que o mundo em geral e os argentinos em particular têm de Messi. A máquina de pulverizar recordes falha. O homem que habita esta máquina chora, sofre, se ajoelha no gramado aos olhos do mundo inteiro. E admite que não pode tudo: “São quatro finais. Não é para mim. Tentei, é o que mais desejava, mas não deu.”

Curiosamente, o fracasso aparentemente definitivo de Messi atuando pela sua seleção (considerando que ele não voltará atrás de sua decisão) pode ter sido uma grande vitória em outra esfera. Ao expor seus limites de forma escancarada como nunca, ele enfim teve o reconhecimento de seu povo. Assim que foi anunciada sua “aposentadoria”, começaram as campanhas no país para que ele volte atrás. Pela primeira vez na história, o garoto que saiu da Argentina adolescente foi enxergado como um dos seus pelos argentinos.

A comparação de Messi com Maradona sempre foi injusta não só porque um ganhou uma copa do mundo e o outro não ganhou nada pela Seleção principal. Mas também porque Diego tem uma característica que Messi não demonstrava até domingo: a de ser humano. Diego falha e tem fraquezas como todos nós temos. A partir do choro angustiante de
domingo, Messi diminuiu esta distância para “Diós”.

A derrota contra o Chile na final da Copa América foi mais uma no calvário que a Argentina vive há 23 anos. Mas para Messi pode ter sido uma vitória que talvez ele não alcançasse nem se acertasse o pênalti e se sua seleção fosse campeã da Copa América. Os heróis só são fascinantes quando demonstram que também têm um lado humano.



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