Getterson deu azar por ser apenas Getterson



Não houve nem tempo de um pedido de desculpas. Nada. Getterson foi julgado e condenado inapelavelmente no intervalo de menos de nove horas da sua apresentação. A pena: demissão do quadro de funcionários do São Paulo Futebol Clube. Motivo: desrespeitou a instituição há alguns anos ao postar uma bobagem em alguma rede social.

O terceiro erro de Getterson foi não ter apagado as postagens polêmicas. O segundo ter postado. E o primeiro foi ele ser Getterson e não Messi, Cristiano Ronaldo… Como na sociedade, a relevância de um sujeito abre ou fecha portas. No caso do jogador do J. Malucelli a porta foi fechada e trancada. Na hipótese impossível de Neymar ser contratado pelo São Paulo, seria recebido com tapete vermelho no clube mesmo se tivesse falado ou escrito cretinice parecida. Não vamos ser hipócritas de imaginar algo diferente.

Quem prejudicou mais o São Paulo? O desconhecido Getterson por uma bobagem escrita numa mídia social anos atrás ou os responsáveis pela derrota por 6 a 1 para os reservas do Corinthians em 2015? Ou ainda quem transformou o clube em um esgoto a céu aberto com negócios suspeitos e dinheiro escoando pelo ralo? Ou, por fim, quem votou no Coronel Nunes para comandar a CBF?

Se postagens no Twitter são motivos para condenações inapeláveis, como o conselheiro e assessor do São Paulo ainda segue ligeiro com seus dedinhos mesmo depois de ter chamado um patrimônio do clube de “zagueiro de condomínio?” Isso não pode ser caracterizado como “desrespeito”? Isso não está desvalorizando um atleta da casa?

Verdade é que a decisão de demitir Getterson não passou de uma resposta à sede de vingança de torcedores enraivecidos de redes sociais e de conselheiros que se sentiram atacados dentro de suas salas climatizadas. “Ah, mas e se ele jogasse mal contra o Corinthians?”, perguntam alguns. Os onze e mais os reservas que entraram no fatídico 6 a 1 já chegaram no limite da humilhação. O garoto talvez pudesse fazer algo parecido, dificilmente pior. “Depois da postagem a situação ficou insustentável”, decretarão outros. Ficou insustentável porque não houve nenhum esforço por parte da diretoria de minimizar ou contornar a questão publicamente.

Se você der uma busca nas suas redes sociais terá a chance de encontrar algo que, lendo hoje, se arrepende. Sua cabeça mudou ou você escreveu em um momento de raiva, tristeza, irresponsabilidade… A vida oferece possibilidades de retratação. E neste caso o futebol foi diferente: um erro condenou o sujeito eternamente.

Por fim, quando a diretoria toma a atitude que tomou, faz coro com os intolerantes que militam no futebol e que são incapazes de conviver com diferenças, mesmo futebolísticas.

A diretoria do clube teria uma atitude enorme se desse uma bronca no sujeito e uma nova chance. Em vez disso optou por jogar para a galera: rua para o pobre coitado que ousou desrespeitar o Soberano.

No caso de Getterson, deu azar de ser apenas Getterson.



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