Esperança na Seleção; desconfiança no Corinthians



O clima era leve na entrevista de Tite na sede da CBF segunda-feira. O novo treinador da Seleção Brasileira foi claro nas respostas e não se incomodou de ter que falar mais de uma vez sobre o descompasso entre o documento que assinou há alguns meses exigindo a renúncia do presidente da entidade e agora o seu “sim”para dirigir o time nacional. Após um período de coletivas tensas com Dunga no comando, o que se viu foi um cheiro de esperança no ar. Não só de que a convivência será mais calma a partir de agora como de que a provável evolução do time em campo vai ajudar no processo de desarmamento de parte a parte.

Fato é que Tite está no melhor lugar que ele poderia estar. Não no sentido das companhias que terá que engolir, óbvio, mas pelo fato de ter um panorama que dificilmente poderá piorar. O treinador encontrou na Seleção um cenário de terra arrasada. Dunga deixou muito pouca coisa. Qualquer mínimo movimento que o novo treinador faça será um avanço. Além disso, ele conta com o apoio da torcida, da opinião pública e terá carta branca dos cartolas para trabalhar. Enfim, o vento sopra a favor do treinador gaúcho.

Na mesma segunda-feira outro personagem sentou-se em uma cadeira para ser sabatinado por jornalistas. Foi Cristóvão Borges, o sujeito escolhido para substituir Tite no comando do futebol de outra nação, a corintiana. E o clima foi muito diferente. Se na CBF a leveza e a esperança estavam claros no ar, no CT do Timão a desconfiança dava o tom. Não havia ambiente bélico como nas conversas de Dunga com jornalistas, até porque Cristóvão é um dos sujeitos mais elegantes do futebol brasileiro. Mas havia uma certeza da dificuldade que ele enfrentará.

Afinal, se Tite encontrará um cenário ruim e, assim sendo, qualquer melhora será comemorada, o bom baiano encontrará exatamente o contrário no Corinthians: um trabalho bem feito, um título brasileiro conquistado outro dia, uma forma de jogar muito clara e uma torcida que se acostumou a levantar canecos em sequência há pelo menos cinco anos. Sim, o time foi dilapidado no começo de 2016 e a realidade hoje é diferente da de 2015. Mas a 4a colocação no Brasileiro neste momento é um sinal para a torcida de que mesmo enfraquecido é possível fazer
um bom trabalho.

Tite já está nas nuvens. Cristóvão terá que batalhar muito para chegar lá.



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