Por que Sylvinho?



No mundo da política isto é algo comum. Surge um candidato (ou potencial candidato) a algum cargo e acaba levando vantagem sobre outros por uma razão: é um desconhecido e, portanto, sua rejeição é baixa, utilizando um jargão dos analistas de Brasília.

Na cabeça do eleitor o raciocínio é simples: conheço este, aquele, aquele e aquele outro candidato. Sei do que este e aquele são capazes e sei também o que eles podem fazer do ponto de vista negativo. Este outro candidato eu não conheço. Parece bem intencionado. É nele que vou votar.

Este raciocínio parece que está guiando a opinião dos torcedores corintianos com relação ao técnico que terá que substituir Tite. Nas várias pesquisas publicadas na internet em diferentes portais e mídias sociais, o nome de Sylvinho é o preferido. Medalhões como Osvaldo de Oliveira, Abel e Mano Menezes ficaram para trás. A razão parece clara: o ex-lateral corintiano é um desconhecido. Raríssimos torcedores têm uma avaliação de seu trabalho pelo simples fato de que ele nunca dirigiu um time principal.

As credenciais de Sylvinho são o fato de ele ter trabalhado com Tite, de ter experiência no futebol europeu e por ele ser, pelo que dizem, um aluno aplicado em cursos de primeiríssimo nível para técnicos de futebol. Neste momento ele está focado em sua formação e teria recusado um convite corintiano.

O raciocínio do torcedor, assim como do eleitor, é absolutamente compreensível. Entre o que está aí (e que não agrada), melhor apostar no desconhecido com aparentemente capacidade e boas intenções.

Se na política isso demonstra o grau de qualidade de nossos políticos, o mesmo pode-se dizer de nossos treinadores. Com uma diferença importante: os políticos estão mal avaliados muitas vezes por serem desonestos e criminosos, além de incompetentes. No futebol, a falta de confiança é restrita à competência.

Se Sylvinho não for convencido a mudar sua ideia de seguir estudando neste momento, o Corinthians terá de ir atrás de outro treinador. Um desconhecido terá a desvantagem de não conhecer bem o clube. Um conhecido terá a desvantagem de ser alguém que está por aí e que pouca gente confia. Tite só existe um e este já foi.



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