Ganso foi lembrado pela Seleção. Ele mesmo já tinha se esquecido



Certamente você se lembra de algum momento muito importante da sua vida. Quando passou no vestibular, quando recebeu um telefonema de uma empresa e ouviu “a vaga é sua!”, quando deu o primeiro beijo. Ou algum último momento de um processo. O dia da sua formatura, por exemplo.

Mas tem gente que não é assim. Ganso não é assim. Ele voltará à Seleção Brasileira após quatro anos de ausência. Ontem, na entrevista coletiva que deu para falar do assunto, foi perguntado pela repórter Gabriela Moreira, da ESPN Brasil.

Ela questionou: – Faz quatro anos, mas certamente você tem guardado qual foi o seu último momento na Seleção. Que time era aquele, que momentos você lembra e o que guarda na memória?

E ele respondeu: – Eu não lembro muito, não … (riu, sem graça). E emendou: – a Seleção sempre atua com grandes jogadores e novamente eu vou encontrar pessoas que já atuei junto e espero que a gente possa ir em busca desse título.

Não dá para dizer se isso significa que Ganso não dê importância para a Seleção. Mas que sua última presença não foi relevante a ponto de ele mesmo nem sequer se lembrar, não existe dúvida.

Há poucos jogadores brasileiros que recebam tanto a atenção de todos os que gostam de futebol como Ganso. Há quase um desejo no íntimo de cada um de que ele seja o camisa 10 que todos imaginam. Ele seria como o elo perdido entre as Seleções Brasileiras que encantaram o mundo e o que temos hoje.

Sua volta à Seleção carrega toda esta esperança. A ponto de se deixar de lado questões importantes. A principal delas: como um jogador tão complexo como Ganso poderá se encaixar no time dirigido por Dunga? Jogará mais perto do gol, como ele tem se dado bem? Será muito bem protegido pelo restante do time?

Entre tantas particularidades que envolvem o futebol do camisa 10, formar um time em que ele possa desempenhar seu potencial é uma delas. Haverá tempo de se fazer isso, considerando que o Brasil estreia na Copa América amanhã?

Antes da coletiva de ontem, Ganso deu outra entrevista, após a derrota do São Paulo para o Figueirense. Foi quando falou pela primeira vez de sua volta. Ele não poupou elogios a Edgardo Bauza, que “achou o melhor posicionamento” dele. Palavras do jogador.

O camisa 10 passou pelas mãos de seis treinadores no São Paulo até a chegada de Bauza: Ney Franco, Paulo Autuori, Muricy Ramalho, Juan Carlos Osorio, Milton Cruz e Doriva. E foi com o argentino que ele conseguiu chegar a um ponto em que já se discute se seu momento atual é melhor do que a sua grande fase no Santos.

Ao chegar ao Tricolor, Bauza declarou que uma de suas missões era extrair o máximo do jogador. Perguntado qual seria o máximo, respondeu: – Ganso não tem limites.

Verdade é que ele vem evoluindo nos últimos três anos. A ponto de seu limite, que há alguns anos parecia bem definido, agora já não ser mais, como disse o treinador argentino.

A Seleção é um teste de fogo para Ganso. Um eventual novo fracasso poderá descarregar nova carga de desconfiança sobre ele. Neste caso, o melhor que o jogador tem a fazer é esquecer de novo de sua participação na Seleção. Para seguir sem um limite para brecá-lo.



  • Henrique

    Uma pena que o esquema (fala serio, tem isso?!) da selecao nao da’ espaco para o Ganso. Mas, vamos ver. Espero que o Dunga entenda o potencial que ele tem na mao e ajuste o time para dar espaco. Nos queremos o sucesso da selecao, e se isso passa pelo sucesso do Ganso, temos que dar a ele todo o respaldo.

MaisRecentes

O treinador invisível



Continue Lendo

O recado é: simular falta funciona!



Continue Lendo

Eles querem ter a posse de bola



Continue Lendo